Empresas devem adotar um olhar mais humano em relação às pessoas
As mudanças na NR-01, como a inclusão do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), obrigam as empresas a uma revisão de seus processos internos e à adoção de um olhar mais humano em relação aos funcionários. Os cuidados devem incluir a prevenção do assédio moral e assegurar a saúde mental da equipe, fatores que estão diretamente ligados à qualidade do ambiente laboral e à produtividade.
A ênfase é das palestrantes da edição de outubro do Papo com Café, realizada nesta sexta-feira, 04 de outubro, na ACI, com mediação de Solange Neves, sócia da SNA Solange Neves Advogados Associados e integrante do Comitê Jurídico.
A psicóloga Jaqueline Mânica, especialista em flexibilidade emocional e autorresponsabilidade e consultora em desenvolvimento de pessoas e carreira, afirmou que os processos internos devem estar organizados e a mudança deve iniciar já na seleção dos novos profissionais, cujo perfil deve estar bem-definido para que haja o ajuste aos cargos. Conforme ela, as empresas precisam entender que pessoas têm necessidades e saber quais são os seus aspectos emocionais, as suas habilidades e os seus interesses, além de conhecer a sua realidade social.
“Mapear o processo de contratação é fundamental. Nem tudo cabe à empresa, mas o fato de conhecer seu contexto permite elaborar políticas de gestão de pessoas e assegurar relações de trabalho mais saudáveis”, explicou Jaqueline, destacando que o porte da empresa pode ser pequeno, mas a gestão precisa ser grande.
Para Solange, as pessoas costumam passar pelo menos 8h48minutos diariamente nas empresas, período em que os problemas geralmente se agravam. Por isso, em sua avaliação, as empresas devem adotar o gerenciamento de riscos ocupacionais. “Muitos gestores fazem referência aos custos elevados da adequação, mas o maior custo é não fazer isso e correr riscos”, disse.
Mapear para identificar oportunidades
Para a consultora empresarial Márcia Schwíkert, conselheira consultiva e mentora de carreira, ter políticas e manuais que assegurem o bem-estar das pessoas no trabalho independe de tamanho da empresa. Ele recomenda o mapeamento do que já existe para identificar oportunidades de melhoria. A gestão de pessoas deve ter papeis e responsabilidades bem-definidos e as lideranças precisam ser capacitadas para trabalhar com diferentes gerações” afirmou.
Márcia também disse que as pessoas precisam ser ouvidas e ter oportunidade de apresentar seus anseios e suas necessidades. Por isso, reuniões de feedback e acompanhamento periódicas são indicadas. Conforme a consultora, o preparo das lideranças deve incluir formas de diálogo e combate ao assédio moral.
Conforme Jaqueline Mânica, as questões relacionados ao assédio moral e à saúde mental não devem receber atenção apenas por serem exigência legal ou assunto da atualidade. Devem fazer parte da política de gestão de pessoas e ser um compromisso da alta direção. “Quando não há processos bem-definidos e comprometimento de todos, o assunto ganha destaque quando ocorre um problema. Já quando os processos estão bem-definidos, problema é evitado”, disse.
Redução da jornada de trabalho
O Papo com Café também abordou questões como redução da jornada e novos formatos trabalho. Conforme Jaqueline, o ser humano necessita de relacionamentos, por isso o modelo híbrido, quando não for possível o presencial, é indicado para as empresas, mas ela indaga se a avaliação de um colaborador em home office deve ser a mesma de um que atua 100% presencial. Junto com o formato, a redução da jornada de trabalho deve ser debatida em rodas de conversa. “Precisamos dialogar sem precipitação”, enfatizou. Para Márcia, a administração do tema deve ser feita da melhor forma possível, para que não haja conflitos de interesses.
Propósito e letramento
Ao final do evento desta sexta-feira, as palestrantes deram dicas aos participantes. Márcia disse que as empresas devem ser claras sobre o propósito de contratação de cada novo colaborador e criar conexão com todos. Já Jaqueline destacou a importância do letramento, que é a necessidade de explicar as atividades do dia a dia para compreensão de todos, especialmente dos jovens que estão ingressando no mercado de trabalho. Sugeriu fazer visitas a outras empresas para conhecer suas experiências de gestão de pessoas e indicou que as Sipats incluam noções de como lidar com o dinheiro. “Comece com pequenas ações e busque evoluir sempre. Também invista na liderança, que são o braço da direção e a representa junto às equipes. Além disso, procure ser exemplo”, disse. “E tenha paciência, pois tudo vai dar certo”, conclui Solange Neves.
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