Especialistas compartilham experiências sobre bem-estar e NR-01 no ambiente corporativo

Por ACI: 20/03/2026
Conteúdos inspiradores foram destaque

Conexões, troca de experiências e boas práticas relacionadas ao bem-estar do colaborador e à NR-01 marcaram a edição do evento Gestão que Inspira, realizada na manhã de quinta-feira (19), no auditório da ACI, que esteve completamente lotado. Destinado a profissionais de recursos humanos, empresários e gestores de equipes, o encontro teve como objetivo ampliar o acesso a informações, conceitos e práticas de gestão voltadas ao bem-estar e à saúde mental no ambiente corporativo.

A abertura e condução do evento ficaram a cargo de Renata Cristina de Oliveira Rocatelli, coordenadora do Comitê Regional de Recursos Humanos (CRERH), responsável pela atividade. “Esse evento foi criado pensando em trazer reflexões e orientações práticas, objetivas e aplicáveis nas empresas. Nasceu da vontade de transformar para melhor, e queremos que cada um aproveite o conteúdo da maneira que fizer sentido para sua realidade”, ponderou.

A primeira palestra abordou as práticas de bem-estar desenvolvidas pela empresa Metadados. A Head of People da empresa, Andréia da Silva, apresentou o programa Sintonizem, destacando o papel da gestão e da liderança, a importância da cultura organizacional e a relevância estratégica da área de recursos humanos na promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. Criado há 15 anos, o Sintonizem abarca oito pilares de saúde, nas áreas financeira, mental, social, física, ocupacional, espiritual, intelectual e ambiental.

Todos os aspectos são tratados em harmonia, objetivando a evolução do ser humano, ampliando seus conhecimentos, habilidades e a neuroplasticidade. “O autoconhecimento e o autodesenvolvimento são essenciais nesse processo. As empresas devem fornecer os meios, mas a saúde integral passa pela tomada de consciência e por uma escolha pessoal”, enfatizou. Para Andréia, o RH e os líderes têm papel crucial nesse contexto. “São agentes de transformação que vão impulsionar mudanças”, definiu.

Investimento compensa

Na sequência, a diretora de gente e gestão da Kepler Weber, Simone Lisboa, falou sobre saúde mental no ambiente corporativo. Em sua apresentação, explicou por que o tema se tornou urgente nas organizações, apresentou três pilares científicos que sustentam as práticas de cuidado com as pessoas e compartilhou ações adotadas pela empresa, detalhando o case da companhia.

Simone lembrou que o Brasil é recordista mundial em casos de ansiedade e segundo colocado em síndromes de burnout. “A gravidade desses problemas levou à criação da NR-01. Precisamos buscar soluções que nem sempre demandam grandes recursos. É preciso lembrar que, para cada um real investido, quatro reais são economizados posteriormente”, afirmou.

Ela apresentou estudos que apontam fatores de atenção no ambiente corporativo, como carga de trabalho inadequada, rede de apoio e respeito comprometidos, recompensas insuficientes, falta de autonomia nas decisões, ausência de um ambiente justo e desalinhamento de valores entre a pessoa e a empresa.

A Kepler Weber conta com diversas iniciativas, com destaque para o grupo de apoiadores à saúde mental, composto por 52 integrantes capacitados a ter um olhar atento aos sinais de problemas no ambiente de trabalho. Compartilhar, inspirar, falar, escutar, agradecer, desenvolver, cuidar, contratar e celebrar são práticas recorrentes na indústria, que está sempre atenta a indicadores de bem-estar e à formação de lideranças humanizadas, operando em conjunto também com o setor público.

Talk show

A programação foi concluída com um talk show sobre a aplicação prática da NR-01, que contou com a participação de Luciane Ramos, especialista em medicina do trabalho, Alexandre Eberle Alves, engenheiro de segurança do trabalho, e Ieda Rhoden, psicóloga organizacional e do trabalho, consultora de empresas e professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Luciane falou sobre a importância de um olhar humano em sua totalidade e de acolher de maneira correta os problemas de saúde mental verificados nas empresas. “Devem ser tratados como qualquer outro afastamento”, enfatizou.

Já Alexandre ressaltou a necessidade de observância detalhada das exigências que a norma estabelece. “É necessário desenvolver uma matriz de risco, avaliando perigos e riscos quanto à probabilidade e à severidade. É fundamental medir, ouvir os colaboradores e registrar tudo para evitar problemas com a fiscalização”, detalhou.

Ieda, por sua vez, afirmou que as mudanças atuais geradas pela nova legislação provocam certo desconforto, mas que a NR-01 deve ser benéfica, de modo geral, no futuro. “Daqui a alguns anos, o cenário vai melhorar no longo prazo”, afirmou.

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