ACI propõe medidas para auxiliar empresas e solicita audiência com Geraldo Alckmin
A ACI encaminhou nova correspondência ao governo federal, nesta quinta-feira, 28. Endereçado ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o documento expressa preocupação com os impactos da taxação de 50% imposta pelo governo americano aos produtos brasileiros e solicita a adoção de medidas mitigatórias urgentes. Também requer a marcação de agenda com o vice-presidente ou sua equipe técnica a fim de explorar soluções conjuntas que beneficiem o setor produtivo nacional.
A entidade afirma que, passados vinte dias desde o início da vigência da taxação, não há qualquer evolução significativa no assunto. A medida tarifária, que afeta diretamente a competitividade das exportações nacionais, tem gerado impactos imediatos e severos em diversas cadeias produtivas, ameaçando empregos, investimentos e o equilíbrio econômico de regiões inteiras.
“No contexto global de instabilidade comercial, a demora em negociações ou respostas concretas por parte do Governo Federal agrava a vulnerabilidade de nossas indústrias, que já enfrentam desafios como a volatilidade cambial, os altos custos logísticos e a concorrência desleal de mercados asiáticos”, afirma o presidente Robinson Klein, que assina a correspondência, juntamente com o diretor Fauston Saraiva.
No Estado do Rio Grande do Sul, o Vale do Sinos e o Vale do Paranhana sofrem impactos diretos na indústria calçadista, com redução de pedidos, paralisação de linhas de produção e risco de demissões em massa, o que afeta toda a rede de fornecedores, distribuidores e serviços associados.
Na Serra Gaúcha, o setor moveleiro enfrenta graves prejuízos devido à dependência do mercado norte-americano, resultando em estoques acumulados, queda na receita e instabilidade financeira para milhares de famílias. Os dois setores são pilares da economia gaúcha e contribuem substancialmente para o PIB nacional e para a balança comercial do país, gerando divisas essenciais para o desenvolvimento sustentável.
A continuidade dessa taxação sem contramedidas pode levar a uma contração econômica regional, com efeitos cascata sobre o comércio local, o consumo e o bem-estar social. Por isso, a ACI reitera o pedido urgente por medidas mitigatórias que possam atenuar os danos e preservar a competitividade do setor produtivo brasileiro.
Ações que a ACI propõe
1 - Implementação de linhas de crédito subsidiadas e facilitadas para capital de giro e investimentos em modernização tecnológica, visando diversificar mercados e reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos;
2 - Aceleração de negociações bilaterais ou multilaterais, inclusive por meio de acordos comerciais alternativos com blocos como a União Europeia ou o Mercosul ampliado, para abrir novas rotas de exportação;
3 - Incentivos fiscais temporários para a inovação e a sustentabilidade, como deduções no Imposto de Renda para investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental, alinhando-se às demandas globais por práticas ESG;
4 - E, especialmente, a desoneração da folha de pagamento, que se mostra essencial para aliviar os custos trabalhistas e manter a empregabilidade. Ressaltamos que essa medida não deve ser concedida apenas às empresas exportadoras diretas para os Estados Unidos, mas estendida a toda a cadeia produtiva envolvida nesse mercado, incluindo fornecedores de insumos, logística e serviços auxiliares, garantindo assim uma recuperação mais ampla e inclusiva.
“Essas iniciativas, se adotadas com celeridade, não apenas mitigariam os impactos imediatos, mas também fortaleceriam a resiliência da indústria brasileira frente a futuras barreiras comerciais, promovendo um ambiente mais favorável ao crescimento econômico e à geração de empregos qualificados”, destaca Klein. O documento finaliza dizendo que a ACI e seus associados estão à disposição para colaborar com dados, estudos e propostas adicionais, bem como para o diálogo construtivo entre o setor privado e o poder público.