Construção da perpetuidade em escritório jurídico e família empresária

Por ACI: 14/06/2026

Em tempos de debates de compliance na contratação de prestadores de serviços e implantação de governança nas empresas familiares, um tema se faz necessário debater: o escritório jurídico também precisa aplicar as mesmas regras que implanta nas companhias?  No artigo Governança Corporativa Aplicada na Gestão do Escritório de Advocacia, Lívia Alves Luz Bolognesi – livia@mnbf.com.br - MBA Gestão Jurídica – GJCUR001 - Instituto de Pós-Graduação – IPOG Curitiba, PR, 29 de novembro de 2020, a autora menciona que:

“Governança corporativa na gestão dos escritórios de advocacia. Conforme já exposto, a adoção das boas práticas da GC não está restrita às empresas de capital aberto, motivo pelo qual se mostra salutar que ela também seja inserida nos ambientes dos escritórios de advocacia, mais precisamente pela gestão, o que certamente gerará valor no mercado jurídico, com ganho de maior credibilidade.

A transformação há muito ocorrida no perfil do escritório de advocacia, que, em face do seu crescimento, passou a constituir sociedades, trouxe a necessidade de adoção da prática de gestão empresarial com foco na obtenção dos resultados, melhoria na prestação dos serviços e sua valorização. Dentro desse contexto, utilizar os conceitos e princípios da governança corporativa na gestão jurídica trará ganhos e benefícios, uma vez que mitigará riscos, evitará e resolverá conflitos, pois atenderá e preservará os interesses de todos, dentre eles sócios, advogados, estagiários, empregados, correspondentes/parceiros, clientes e a sociedade.” (pág. 9/10).

Escritórios jurídicos, quando se tornam uma pessoa jurídica, também não têm prazo de validade. Assim, o presente artigo é um convite para pensar sobre o futuro de escritórios jurídicos e contábeis e evidenciar a importância de que se trate escritórios familiares com a mesma governança que as empresas buscam ao contratar escritórios jurídicos para implantação de suas governanças, afinal, o mundo corporativo necessita de segurança e viabilidade de que seus processos estarão analisados e protegidos, sem o risco de serem surpreendidas com uma briga de sócios que afete o andamento do seu jurídico estratégico.

Escritórios jurídicos necessitam do mesmo olhar dispensado a uma empresa. O mundo mudou e, com isso, especialmente os escritórios que atendem empresas, também precisam cuidar dos pilares de governança: conselhos consultivos, protocolo de família, acordo de sócios e comitês que auxiliam a gestão de inovação, de pessoas, financeiros e os desafios da administração.

Em cada marca de uma empresa, existe a história do fundador, da família e de tudo que se construiu por trás daquele nome. A mesma história ocorre em escritórios jurídicos e contábeis e suas conexões com o mundo empresarial. Em empresas familiares, o fundador sempre terá o olhar de dono. No entanto, quando essa marca se desenvolve e se torna uma referência empregando cada vez mais pessoas, esse olhar precisa ser estruturado, tendo em vista as limitações sobre o direito de propriedade e seus impactos. E, neste aspecto, este artigo pretende convidar o leitor a ter este pensamento crítico de como desenvolver essa governança no meio jurídico, no meio contábil, não importando o tamanho do seu negócio, o que é inclusive um contrassenso, afinal, são advogados que implantam conselhos e governança no meio corporativo, mas acabam não seguindo as mesmas regras.

A implementação de governança em empresas familiares fortalece uma gestão profissional, auxiliando na separação das emoções que permeiam as famílias empresárias.  O presente artigo pretende o mesmo olhar, ou seja, que sejam tratados da mesma forma escritórios jurídicos familiares. Ao adotar códigos claros de conduta, conselhos imparciais e uma gestão financeira profissional, a segurança transmitida ao mercado financeiro e comercial será mais sólida e sustentável — e as práticas recomendadas pelo IBGC, aplicadas aos escritórios jurídicos, podem se tornar um diferencial competitivo na contratação do escritório, pela segurança de se ter um fornecedor jurídico com regras aplicáveis à empresa cliente.

Ademais, o planejamento de sucessão em escritórios jurídicos é necessário justamente para segurança de todos os seus clientes. Prazos norteiam o mundo jurídico e o risco de uma discussão familiar ou da morte súbita de um sócio inviabilizar os negócios e processos de clientes é concreto e precisa ser gerenciado.

Solange Neves – Advogada

CEO de Solange Neves Advogados Associados

 

 

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