Balança comercial deve ter superávit, mas pontos exigem atenção

Por ACI: 13/04/2026

Apesar dos grandes prejuízos já causados, inclusive ao setor calçadista, a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã e as demais circunstâncias do cenário econômico internacional poderão beneficiar a economia brasileira em 2026, especialmente no que diz respeito ao superávit da balança comercial.

A opinião foi manifestada pelo vice-presidente de Economia da ACI, André Momberger, durante apresentação na reunião mensal do Comitê da Indústria da ACI na última sexta-feira, 10, coordenada pelo vice-presidente Enorê Antônio Bondan Filho.

Conforme Momberger, o Brasil deverá ter ganhos adicionais de US$ 22 bilhões na exportação de petróleo e de cerca de US$ 30 bilhões no pagamento de precatórios, além do fato de a arrecadação estar estável e o fluxo cambial externo ao país estar crescente. “Isso, sob o ponto de vista fiscal, é bom para o Brasil”, afirmou.

Este ano, a economia global deverá ter menor crescimento e maior inflação, com impactos em todo o mundo. O Brasil, por sua vez, enfrenta desafios como a inflação teimosa, o segundo juro real mais alto de mundo, aceleração da economia por asteroides e trajetória fiscal preocupante.  Também são obstáculos à economia o cenário eleitoral polarizado e o alto endividamento de pessoas, famílias e empresas.

A previsão do vice-presidente de economia, diante do cenário econômico atual, é de que o PIB brasileiro terá crescimento de 2,5% neste ano, pouco superior ao do ano passado (2,3%). Para 2027, a previsão é de alta de 2,69%. Já a inflação deve ser de 4,8% (ante 4,3% em 2025) em 2026 e de 4% no próximo ano. Para a taxa Selic, que no passado esteve em 15%, André Momberger projeta redução para 13,5% este ano e 11,50% em 2027. Já taxa cambial deve ficar em 5,30 este ano e 5,40 no próximo, enquanto a balança comercial terá superávit de US$ 75,5 bilhões em 2026 e US$ 70,9 bilhões em 2027.

Dia da Indústria

O Comitê da Indústria prepara, a exemplo de 2025, um evento para comemorar o Dia da Indústria, em 25 de maio, ao final da tarde, no auditório da ACI. O foco das palestras será a importância da cultura da inovação para o desempenho das empresas, e os nomes dos palestrantes serão anunciados em breve.

Assuntos institucionais

O diretor da ACI, Fauston Saraiva, destacou as mudanças recentes no Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (Piseg). A principal mudança é a revogação da obrigatoriedade de repasse de 10% ao Fundo Comunitário Pró-Segurança, condição que até então limitava a adesão empresarial ao programa. Com a alteração, 100% do valor destinado pelas empresas via ICMS poderá ser aplicado diretamente em projetos de segurança pública, aumentando a atratividade e o impacto do Piseg.

Outro pleito da ACI citado por Saraiva é o manifesto oficial pela redução do custo Brasil e por medidas urgentes diante dos efeitos da crise internacional no país. O documento foi enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e, nele, a entidade expressa preocupação com os impactos crescentes da crise internacional, intensificada pela guerra no Oriente Médio, sobre o ambiente de negócios brasileiro.

 

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