Modelo de inovação chinês pode inspirar empresas brasileiras
Na parte final do evento na ACI na última sexta-feira, 18, Felipe Leal e Marcelo Reichert responderam a perguntas dos participantes. Em resposta a uma delas, Leal disse que quem vai à China precisa ir com a ‘mente aberta’ e levar em consideração o contexto local, isto é, a cultura chinesa, que é uma das mais antigas e ricas do mundo, com mais de 5 mil anos de história contínua, mas vem se abrido ao mundo ocidental nos últimos 40 anos.
Para entender o acelerado desenvolvimento tecnológico da China, é preciso conhecer o plano quinquenal do governo chinês, que é um documento estratégico de planejamento econômico e social que define as grandes prioridades, metas de crescimento e diretrizes de desenvolvimento da China para períodos de cinco anos. A base é o incentivo à inovação e à tecnologia e com o qual é preciso estar alinhado. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030), em vigor, foca na transição do país para um modelo de crescimento altamente tecnológico, autossuficiente e sustentável.
Felipe enfatizou que o modelo chinês pode inspirar empresas brasileiras. “É preciso fazer mais e se queixar menos, mesmo em um ambiente complexo. Quanto mais complexo o ambiente, mais oportunidades surgem para quem está preparado”, disse.
Destacou que, no Brasil, como faz a China, a busca pela inovação deve ocorrer o tempo todo e ter no radar o que é relevante para a empresa e os clientes. Conforme ele, o impacto do que acontece na China já é sentido no Brasil. Atualmente, são as marcas chinesas de automóveis que ameaçam as que já atuam no mercado brasileiro há décadas, mas outras ondas virão em seguida, ampliando a concorrência em diversos segmentos, como celulares e drones. “A invasão chinesa é inevitável. É preciso olhar o lado positivo dela e tirar proveito”, sugeriu.
Ameaças e oportunidades
Conforme Marcelo Reichert, a concorrência chinesa impactou duramente um dos produtos da empresa, cujo market share caiu de 75% para 15% em três anos. Mas a empresa soube aproveitar a oportunidade para trazer para o Brasil a tecnologia de EPTU, material que combina leveza, conforto, resiliência e durabiliadde para aplicações de alta desempenho, como entressola para tênis. “Tudo pode se apresentar como ameaça ou oportunidade”, disse, sugerindo que as empresas brasileiras preparem-se para fazer o que vem pela frente, ter excelente resultados e destacar-se no mercado.
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