Desastres climáticos causaram prejuízo de R$ 441,8 milhões à região entre 1991 e 2025

Por ACI: 03/10/2026

Os 43 desastres climáticos com registro oficial ocorridos entre 1991 e 2025 causaram prejuízo de R$ 441,8 milhões à região, que teve 51,2 mil desalojados, 7,6 mil desabrigados e cinco mortes no período.

Os dados foram apresentados por Cláudio Rocha, coordenador voluntário da Oficina Regional de Defesa Civil do Vale do Paranhana, Região das Hortênsias e Alto Sinos, em palestra no Prato Principal da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos, na última terça-feira, 29.

Novo Hamburgo teve 22 eventos, correspondentes a 60% do total da região, e R$ 263,7 milhões em perdas. Campo Bom foi o segundo município mais atingido: oito eventos (29% do total) e R$ 127,2 milhões em prejuízo. Dois Irmãos registrou seis eventos (11% do total) e prejuízo de R$ 50,6 milhões, enquanto Estância Velha contabilizou sete eventos no período e perdas de R$ 0,35 milhão, conforme o Atlas Digital de Desastres do Brasil.

“Do total de perdas, R$ 139 milhões saíram direto do caixa do setor produtivo”, disse Rocha. O setor privado pagou 31% do prejuízo total, o dobro do que o poder público teve que desembolsar (R$ 69 milhões). Agricultura liderou com R$ 64 milhões e indústria perdeu outros R$ 40 milhões. Dois Irmãos, sozinho, registrou quase R$ 18 milhões em perdas industriais.

Os registros oficiais não captam faturamento perdido, dias com portas fechadas e clientes que não voltaram. Por isso, o prejuízo real foi certamente maior. Segundo a Abicalçados, 48% das empresas do setor foram atingidas em 2023/2024, com 7,2 mil trabalhadores diretamente impactados.

“Desastres afetam toda a cadeia produtiva”, explicou. Enchentes, enxurradas, deslizamentos, vendavais e interrupções de energia, água e telecomunicações não atingem apenas prédios— afetam trabalhadores, fornecedores, clientes e a capacidade de a empresa continuar funcionando. Mesmo unidades fora da área diretamente atingida podem parar porque seus colaboradores ou acessos foram comprometidos. Por isso, é preciso investir em prevenção. “Um plano simples, conhecido pela equipe e testado periodicamente, é mais útil do que um documento extenso que ninguém sabe executar”, ressaltou.

Eventos cada vez mais frequentes

Conforme o palestrante, os desastres estão ficando mais frequentes. Entre 1991 e 2020 (29 anos), foram 21. Já entre 2021 e 2025, ou seja, em apenas cinco anos, foram registrados 22 desastres.

“18 dos 43 eventos ocorreram entre 2023 e 2025. E dois em cada três são ligados à água: chuvas intensas, inundações e alagamentos”, explicou o palestrante, lembrando que, em maio de 2024, os quatro municípios foram atingidos ao mesmo tempo.

O coordenador de Defesa Civil revela que a previsão para 2026 e 2027 é que o El Niño traga chuva acima da média ao Sul, exatamente o tipo de risco que mais atinge a região. Por isso, ele enfatiza a importância da prevenção e gestão de risco, bem como integração e cooperação com a Defesa Civil.

 

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