Fim do conflito no Oriente Médio tem reflexo sobre ativos financeiros
O comportamento dos ativos financeiros mundo afora indica que, finalmente, os investidores internacionais começam a acreditar no tão esperado acordo para o fim da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, assinado nesta sexta-feira, 19.
A avaliação é do vice-presidente de Economia da ACI, André Momberger. Em novo vídeo do Papo de Economia, ele enfatiza que o preço do petróleo, que é a commoditie mais sensível à crise, chegou a US$ 115 o barril há algumas semanas. Nos últimos dias, diante de um novo anúncio de acordo entre os países, teve nova queda e já está abaixo de US$ 80,00. Momberger enfatiza que o valor ainda está longe de US$ 60,00 de antes do início do conflito, mas tende a se estabilizar entre US$ 70,00 ou US$ 73,00, à medida que o Estreito de Ormuz for aberto integralmente à passagem de petroleiros.
Para Momberger, haverá, em consequência, o rearranjo das cadeias produtivas e uma baixa na pressão inflacionária, que já obrigava os bancos centrais de quase todos os países a reverem sua política monetária.
Nesse cenário, havia expectativa em relação à decisão do Federal Reserve (FED), dos Estados Unidos, na Super Quarta desta semana (17.06). O novo presidente, Kevin Warsh, estava diante de uma decisão importante: sua primeira reunião no comando da instituição e evitar uma eventual decisão que indicasse um alinhamento com Donald Trump, mas a decisão do FED foi baseada em dados e a taxa de juros norte-americana foi mantida.
No Brasil, o Banco Central, cumpriu a expectativa e baixou em mais 0,25% a taxa de juros. Mas há um problema que preocupa analistas e investidores. O relatório Focus, que é resultado do consenso da reunião de mais de 200 profissionais, entre economistas e analistas de todo o Brasil, que apresentam suas expectativas de inflação, PIB, câmbio e taxa de juros para os próximos três anos, indica que a expectativa inflacionária teve um novo aumento.
A meta de inflação no Brasil é de 3%, com 1,5% de flexibilidade, o que indica que, se chegar a 4,5% ao ano, estará dentro da meta. Porém, a previsão para 2026 passou de 5,11% para 5,30% e, para 2027, de 4,03% para 4,10%, resultado do descontrole das contas públicas e de outros fatores.