Defesa Civil municipal deve ser fonte de informações à população sobre El Ninõ

Por ACI: 30/07/2026

A Vale TV exibiu nesta quarta-feira, 29, uma edição especial do programa Estação Hamburgo sobre El Ninõ e as alterações climáticas, com uma abordagem prática e estratégica dos desafios que o Vale do Sinos e outras regiões poderão enfrentar nos próximos meses.

O programa havia sido gravado no último dia 21, no NH CIT - Centro de Inovação e Tecnologia, em parceria com a ACI. A apresentação foi de Rodrigo Steffen e os debatedores foram Artur Eugênio Jacobus, vice-reitor da Unisinos; Prof. Dr. André Rafael Weyermüller, advogado, pesquisador e professor na graduação e pós-graduação da Unisinos e da Feevale; Cláudio Rocha, coordenador voluntário da Oficina Regional de Defesa Civil do Vale do Paranhana, Região das Hortênsias e Alto Sinos, e Major Tiago Reimann, Coordenador Regional de Proteção e Defesa Civil Metropolitana do Governo do Estado.

Confira alguns destaques do programa:

Os participantes enfatizaram a importância de uma reunião pública para discutir os impactos recentes das mudanças climáticas, especialmente as enchentes de 2023–2024, e preparar a região para episódios climáticos intensos associados ao El Niño. Participação de academia, defesa civil, pesquisadores e autoridades locais para abordar prevenção, monitoramento, comunicação e adaptação.

Impactos recentes das enchentes

- Relatos de eventos extremos em 2023 e 2024 mudaram a percepção pública sobre risco e aumentaram o sentimento de vulnerabilidade.

- Consequências sociais e psicológicas destacadas foram perda de bens, desalojamento e trauma coletivo; pesquisa do IBGE indica percentuais relevantes de afetados.

- Exemplos locais citados: inundações em Montenegro, São Leopoldo, Canoas (Matias Velho) e outros municípios com impactos extensos.

Fenômeno El Niño e relação com aquecimento global

- Discussão técnica sobre o caráter cíclico de El Niño, mas com efeitos potencialmente amplificados pelo aquecimento global.

- Preocupação com aumento de frequência e intensidade de eventos extremos; risco de cenários mais complexos no futuro próximo (anos mencionados como 2026–2027).

- Necessidade de compreensão regional dos efeitos locais do fenômeno para planejamento e adaptação.

Monitoramento, tecnologia e infraestrutura de alerta

- Investimentos recentes do Estado em radares, estações hidrometeorológicas e modelagem hidráulica foram destacados como avanços cruciais.

- Limitações históricas: insuficiência de radares e redes de monitoramento em tempo real antes de 2023–2024, prejudicando previsão localizada.

- Expectativa de melhoria em 1 ano a 1,5 ano para modelos microdinâmicos e previsões com antecedência (ex.: 2–24 horas) que permitam evacuações mais seguras.

Papel da Defesa Civil e organização municipal

- Defesa Civil municipal apontada como fonte legítima e central de informação para a população; importância de gabinetes de gestão integrada de desastres.

- Estruturação regional: ampliação do quadro de profissionais desde 2024 (citação de crescimento de 40 para aproximadamente 170 agentes no estado) e capacitação técnica multidisciplinar.

- Necessidade de replicação de políticas estaduais e municipais de proteção e defesa civil e criação de instrumentos legais e operacionais locais.

Comunicação, fontes oficiais e combate à desinformação

- Preocupação com fake news e divulgação de informações alarmistas via redes sociais; impacto negativo sobre a resposta e o bem-estar da população.

- Recomendações de fortalecer canais oficiais locais (municípios e Defesa Civil) e criar vínculo de confiança com a comunidade.

- Formação e capacitação de assessores de imprensa municipais e elaboração de metodologias padronizadas de comunicação de risco.

Obras estruturais, planejamento a longo prazo e limitações

- Obras de mitigação (diques, muros de contenção, sistemas de bombeamento) são necessárias, mas demandam prazos longos (ex.: 4–7 anos) e grande complexidade técnica.

- Revisões topográficas, batimetria de rios e atualização de modelagens foram citadas como etapas em curso financiadas por fundos estaduais.

- Reconhecimento de que soluções imediatas são limitadas; planejamento e investimento contínuos são essenciais.

Responsabilidade cidadã e autoproteção

- Enfatizou-se a responsabilidade individual para medidas de autoproteção (evacuação oportuna, busca de abrigo seguro) e a necessidade de educação comunitária.

- Mensagem clara: previsão exige preparação; governos não podem assumir integralmente a responsabilidade sem colaboração cidadã.

- Importância de integrar conhecimento local (coordenadores municipais) com previsões técnicas para decisões mais adequadas.

Questões jurídicas e repercussões econômicas

- Discussão sobre o papel do direito e regulação em múltiplos níveis (municipal, estadual, federal e internacional) para lidar com impactos ambientais.

- Preocupação com responsabilidades civis e penais frente a desinformação e aproveitamento indevido em situações de crise.

- Destaque para efeitos econômicos amplos das mudanças climáticas e a necessidade de políticas públicas que considerem esses impactos.

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