Cidades brasileiras vão cada vez mais disputar pessoas. Novo Hamburgo também terá este desafio!
Por ACI: 03/10/2026
Cidades brasileiras vão cada vez mais disputar pessoas entre si, e a permanência ou migração delas será determinada pela oferta de bons empregos e pela qualidade de vida. A análise é do arquiteto Lucas Obino, sócio-fundador e CEO do Grupo OSPA, com sede em Porto Alegre. Na última quinta-feira, 1º, ele foi um dos palestrantes do evento Imob Insights: tecnologia, tendências e inteligência para o mercado imobiliário, realizado no auditório da ACI. O evento foi aberto pelo diretor da ACI, Fauston Saraiva, e coordenado por Maicon Schaab, vice-presidente de Infraestrutura e presidente em exercício.
Conforme Obino, há uma transformação em curso no perfil das cidades, que são locais de trocas econômicas e socioafetivas. Trocas econômicas são trabalho, comércio e especialização. Sociais são cooperação, instituições e cultura e afetivas são pertencimento, desejo e memória. “Tais trocas direcionam migração e permanência, e um indicador pode medir o quanto cada cidade cumpre a razão pela qual existe”, disse.
Se no século XXI as cidades absorviam o excedente populacional, no século XXI elas competem por população escassa. Mais da metade dos países já vive abaixo do nível de reposição. No Brasil, a população começará a cair em 2042. Neste cenário, o saldo migratório deixa de ser sinal de sucesso e passa a ser condição de sobrevivência.
Na análise do arquiteto, o Brasil já está desacelerando. Em 2020, cada mulher tinha 2,3 filhos. Em 2030, terá 1,47 e em 2051, 1,44. Cada estado virará num ano diferente. No Rio Grande do Sul, a população parou de crescer este ano. Em Santa Catarina, isso ocorrerá somente em 2064.
Influência da reforma tributária
Além da taxa de natalidade, a virada fiscal da reforma tributária fará a arrecadação passar a seguir quem mora e consome. Antes, o imposto cobrado na origem (onde se produz). Depois, será cobrado onde se consome, favorecendo os grandes centros, onde há melhores serviços, mais oportunidades e maior atratividade para morar.
Citando estudo do economista norte-americano Charles Tiebout publicado em 1956 (‘O voto com os pés’), Obino disse que as pessoas votam onde escolhem morar, levando em conta fatores como atratividade urbana, qualidade de vida, competição territorial, migração e capacidade das cidades de atrair pessoas e investimentos.
Florianópolis e Joinville/SC são bons exemplos
Essas são características de cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes, cuja maioria está localizada principalmente no Sul e no Sudeste, como Florianópolis/SC, Joinville/SC, Sorocaba/SP, São José dos Campos/SP e Uberlândia/MG. Elas têm bons indicadores de responsividade urbana, que é uma ferramenta de medição usada para avaliar a rapidez, a eficiência e a capacidade com que uma cidade reage às necessidades de seus habitantes e às mudanças do dia a dia, em vez de depender apenas de planos diretores rígidos e de longo prazo.
Seus administradores sabem que – na economia de aglomeração – há uma correlação entre a migração e as variáveis econômicas vinculadas ao trabalho, como nível de ocupação e criação de empregos. Em países já desenvolvidos, a qualidade urbana passa a ter mais protagonismo. Em países em desenvolvimento, os aspectos econômicos pesam mais.
Conforme o estudo Introdução à Ciência Urbana: Evidências e Teoria das Cidades como Sistemas Complexos, é de 2,15 vezes o número que a atividade cresce quando uma cidade dobra de tamanho populacional.
Conforme Obino, trabalho e desejo geram atratividade. Trabalho é absoluto: as pessoas vão onde há emprego. Desejo é posicional: vale ser a cidade mais desejada. Onde os dois se encontram, a atratividade cresce e, consequentemente, a migração.
Pessoas já fazem escolhas no RS
Lucas Obino afirma que Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo disputam as mesmas pessoas. Porto Alegre teve queda de 5,4% no número de habitantes entre 2010 e 2022, e hoje soma 1,33 milhão de pessoas. Em Novo Hamburgo, a queda foi um pouco menor, de 4,7%, fazendo a população cair de 238,9 mil para 227,6 mil habitantes. São Leopoldo, logo ao lado, teve aumento de 1,5% e já soma 217,4 mil habitantes. O Rio Grande do Sul inteiro cresceu 1,7% e o Brasil 6,5% do Brasil no mesmo período.
O custo de morar
O objetivo do indicador de acesso habitacional é auxiliar no monitoramento do funcionamento das cidades brasileiras, evidenciando se há desequilíbrios entre a demanda e a oferta de moradias. “Em Novo Hamburgo, alugar cabe no orçamento. Comprar, não”, disse Obino. Conforme ele, há comprometimento de 58,4% da renda para comprar um imóvel mediano de R$ 480 mil e 38,5% da renda para um aluguel mediano de R$ 2.100,00. “São 20 pontos entre compra e aluguel. Em Porto Alegre, são 4”, concluiu.
Imob Insights: tecnologia, tendências e inteligência para o mercado imobiliário
Patrocínio: Objetiva Condomínios, Bruxel Corretora de Seguros e Visa Eventos
Apoio: Imobiliária Terramar, Protepar, Fehse Corretora de Seguros, Gilson Thoen Imóveis, Protector Sistemas de Segurança Ltda, Sami Sistemas e Sicredi Pioneira