Calçado e couro estão entre setores que se beneficiam do Acordo Mercosul e União Europeia
Por ACI: 18/08/2026
Quatro setores estratégicos para o Rio Grande do Sul – tabaco, calçados, couro e móveis - estão entre os principais beneficiados pelo Acordo Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio, mas há possibilidades reais também para outros segmentos. Para o calçado, cuja taxa média anual de ingresso no mercado europeu varia atualmente de 17% a 35%, a desgravação tarifária na União Europeia vai ocorrer de 7 a 10 anos, com significativo aumento das exportações.
Esta e outras informações foram apresentadas por Thaísa Lunelli Rodrigues, executiva do Conselho de Comércio Exterior (Concex) da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, e Márcia Dal Ponte Zonta, especialista técnica em certificação de origem e acordos comerciais da Fiergs, no evento Comex Conecta da ACI, nesta terça-feira, 18. A atividade teve moderação da vice-presidente de Internacionalização, Sheila Bonne.
Conforme Thaísa, a União Europeia é o principal parceiro comercial e de investimento do Mercosul e o primeiro investidor estrangeiro no Brasil. Juntos, os 27 países que a integram somam 449 milhões habitantes, PIB de US$ 21,2 trilhões e consumo de US$ 11,2 trilhões. Também representam cerca de 14% do comércio mundial de mercadorias. Das 29.818 empresas exportadoras do Brasil, 8.769 já exportam para a UE (29,4% do total). Já o Mercosul soma 269 milhões de habitantes, PIB de US$ 3,1 trilhões e consumo de US$ 2 trilhões.
União Europeia x relações comerciais com o RS
A União Europeia é 2º principal destino das exportações do RS. Representa 13% do total exportado pelo Estado, é a 4ª principal origem das importações e responde por 11% do total importado. É também o 3º principal parceiro comercial do RS, que é o 6º estado brasileiro que mais exportou e o 8º estado brasileiro que mais importou da UE.
Em 2025, o RS exportou US$ 2,8 bi à União Europeia, aumento de 5,78% em relação a 2024. Enviou especialmente tabaco (37,75%), ração animal (15,69%), celulose (8,31%), plásticos (6,18%), calçados (4,44%) e carnes (4,28%). Já as importações somaram US$ 1,5 bi em 2025, com alta de 9,12%, especialmente de máquinas e equipamentos (32,32%), fertilizantes (10,68%), máquinas e aparelhos elétricos (8,66%), veículos e suas partes (6,89%), plásticos (5,03%) e instrumentos médicos (4,17%).
Projeções positivas
O acordo estabelece a eliminação gradual de tarifas alfandegárias para cerca de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. O impacto econômico projetado para o Rio Grande do Sul é de alta de 4,6% no PIB, aumento de US$ 803 milhões em exportações industriais e 31.065 novos empregos na indústria de transformação em 15 anos. As principais projeções são para químicos (+US$ 138,3 milhões), couro e calçados (+US$ 84,3 milhões), alimentos (+US$ 63,8 milhões) e celulose e papel (+US$ 7,4 milhões).
Potencial para outros produtos
Conforme Thaísa, o acordo entre os dois blocos econômicos também oferece possibilidades reais para outros produtos. O RS já produz e exporta itens que a União Europeia já demanda no mercado internacional. Cerca de 2,3 mil produtos gaúchos já são exportados para a UE. Além disso, existem 1,5 mil produtos que o RS já exporta para outros mercados e que a UE já importa de outros países, mas ainda não compra do RS. “Há oportunidade real de abertura de mercado, diversificação das exportações e entrada de novas empresas gaúchas no mercado europeu”, enfatizou.
Regras de origem
O Acordo Mercosul e União Europeia também prevê uma série de regras que precisam ser atendidas pelas empresas, tanto brasileiras quanto europeias. São as chamadas regras de origem, que envolvem prova de origem (certificado de origem no Mercosul e autocertificação, no Mercosul e na União Europeia), comprovação (declaração de produto) e verificação de origem, por exemplo. “O acordo é a ferramenta. O benefício é tarifário. A origem é a condição. A prova de origem é o acesso ao benefício e a declaração é a comprovação”, explicou Márcia.
O exemplo da MG Tires Racing
Uma empresa com fábrica em Barra do Ribeiro e escritório comercial em Novo Hamburgo já se beneficia do Acordo entre Mercosul e União Europeia. É a MG Indústria e Comércio S/A, uma das principais fabricantes de pneus para kart do mundo. Marino Albrecht Junior, gerente de comércio exterior, disse no Comex Conecta que, a partir da vigência do acordo, a MG Tires Racing, como é mais conhecida a empresa, reduziu em 20% o preço da matéria-prima importada, além de ter reduzido impostos que incidem sobre a importação de peças de reposição para motores.
Além de destacar a importação de produtos europeus mais baratos, ele também fez referência às tarifas menores para a exportação à Europa, ao acesso a 27 países, à possibilidade de ampliação da margem da empresa, aos ganhos logísticos e à diversificação internacional de mercados.
A MG Tires Racing produz pneus com as marcas MG Tires (própria), Evinco (Estados Unidos), Komet (Estados Unidos e Asia) e Tenero (Estados Unidos). “São ao todo 49 modelos diferentes de pneus, utilizados em competições organizadas pela FIA Karting e por outras entidades nos cinco continentes”, informou.
Patrocínio: Sicredi Pioneira e Conexo Logistics
Apoio institucional: Multi Armazéns