Agentes de IA realizam tarefas com precisão e ampliam produtividade, mas empresas devem adotar governança de dados
Por ACI: 19/07/2026
A inteligência artificial já se tornou parte da rotina da maioria das empresas. Relatório da empresa de consultoria global McKinsey revela que 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função do negócio, especialmente na área de apoio. O desafio, agora, é avançar para uma nova etapa, com utilização de agentes de IA, geração de impacto positivo sobre o resultado contábil e definição de uma governança capaz de garantir que o uso da tecnologia gere valor sem ampliar os riscos para o negócio.
Essa é ênfase dada pelos participantes do evento Economia & Negócios que a ACI realizou nesta quinta-feira, 16 de julho, com o tema como pequenas e médias empresas podem gerar resultados reais com IA.
A atividade teve moderação de Giuliano Hoffmann, CEO da Floki Systems e vice-presidente Inovação e Tecnologia da ACI, e participação, como palestrantes, de Rodrigo Koetz de Castro, diretor de AI na SOU, empresário e conselheiro de empresas; Manoel Roldão, fundador e CEO da Growdev e da Growlabs; e Guto Ortac, head das empresas GO19 e Post2GO e especialista em inovação, tecnologia e marketing digital.
“Enquanto o assistente de IA auxilia na realização de tarefas, o agente de IA age em nome da pessoa e faz com precisão aquilo que lhe foi pedido, alcançando um novo patamar de produtividade”, destaca Rodrigo. O especialista cita como exemplo a utilização de agentes de IA para análise de currículos de candidatos a vagas, em que, além da redução de tempo, gera um ranking dos candidatos que facilita a escolha do RH.
Conforme Rodrigo, há profissionais e empresas especializados em desenvolvimento de agentes de IA, além de agentes de IA que desenvolvem outros agentes. O especialista também destaca outras áreas em que os agentes de IA são utilizados com maior destaque: análise de dados e geração de insights, previsão de demanda, retenção de clientes e prevenção de perdas e inteligência comercial, entre outras.
Automação gera aumento de oportunidades
Na palestra de abertura, Manoel Roldão revelou que chegam a US$ 240 bilhões os recursos direcionados à IA a cada trimestre em todo o mundo e que 56% dos CEOs admitem não enxergar retorno financeiro tangível dos investimentos.
Também apresentou os benefícios obtidos pela Growdev ao utilizar a IA para ampliar oportunidade na área de TI. “O processo anterior era custoso e não escalável. Dependia do trabalho manual, que consistia na pesquisa de empresas e tentativa de contato e apresentação. Com engenharia de dados, automação de busca de vagas e IA para curadoria de vagas, tivemos um aumento significativo das oportunidades geradas”, explicou.
Decida e comece simples, sugere especialista
Segundo palestrante, Guto Ortac sugeriu às empresas que ainda não utilizam ou utilizam pouco a IA a começar de forma simples e passar da curiosidade à decisão. “A decisão começa quando a IA entra em um processo real”, disse.
Com a IA, acontece algo parecido quando se contrata um funcionário: é necessário explicar o que ele deve fazer. Sem orientação, ele erra. Sem processo, ele inventa. Sem critério, ele oscila. IA trabalha rápido, mas precisa de contexto do negócio, explicação da tarefa, critérios de qualidade, informações confiáveis e limites de atuação. “Quanto menos direção, mais genérica tende a ser a entrega”, enfatizou Guto.
Além de não corrigir um processo ruim, a IA pode transformar o caos artesanal em caos em escala. Por isso, deve-se focar primeiro no problema e, depois, na ferramenta. Pensar em uma atividade que é realizada frequentemente, consome tempo, depende demais de uma pessoa, provoca retrabalho e poderia funcionar melhor. “É aí que começa a busca pelo primeiro uso da IA”, enfatiza.
Saber o que se quer alcançar
Para o primeiro uso, deve-se saber o que se quer alcançar: eficiência, isto é, reduzir tempo, diminuir retrabalho, ganhar produtividade ou liberar capacidade da equipe, ou geração de valor, como melhorar o atendimento, personalizar a entrega, aumentar a qualidade e criar oportunidades de receita. “Escolha uma prioridade para o primeiro teste”, diz Guto.
A IA pode ajudar a fazer mais rápido, que é apenas o primeiro degrau. Pode também fazer melhor, com mais qualidade, consistência e personalização, e diferente, redesenhando o processo ou criando algo antes inviável.
O ideal é começar simples e com limites claros: quais informações podem ser utilizadas, o que a IA pode sugerir, o que ela não pode inventar, quais decisões continuam humanas e quem revisa a entrega. IA precisa de briefing. Quanto mais claro o briefing, menos genérica tende a ser a resposta.
Devem estar claros:
- Contexto: quem somos e qual é a situação?
- Tarefa: o que precisa ser feito?
- Critérios: o que deve ser considerado ou evitado?
- Formato: como a entrega deve ser apresentada?
“Quem decide conhece a prioridade, quem executa conhece o problema. Um bom piloto precisa dos dois”, diz Guto Ortac. O especialista diz que o caminho para um bom uso da IA deve ter orientações como o que se quer melhorar, como essa atividade funciona hoje, onde ela pode contribuir e testar e avaliar.
Método 1 - 1 - 1 – 7
Indicado por Guto Ortac, o método consiste em escolher uma atividade real (uma rotina da empresa), um resultado esperado (o que precisa melhorar), uma pessoa responsável (alguém para conduzir e acompanhar) e sete dias de teste (testar, revisar e registrar o aprendizado). Deve-se comece por uma rotina, não por várias ferramentas.
O melhor primeiro uso da IA não é o mais impressionante. É aquele que pode ser testado e avaliado para, depois, ajudar a fazer mais rápido, melhor e diferente. A IA pode acelerar uma atividade. A direção continua sendo responsabilidade das pessoas. Talvez o maior problema não esteja na venda. Pode estar na preparação da proposta, no atendimento, na logística ou no pós-venda. Não é preciso começar com uma estratégia completa. É preciso começar com uma decisão concreta. “Não é só sobre tecnologia. É sobre decisão”, concluiu Guto Ortac.
Governança para evitar riscos
Apesar dos muitos benefícios que proporciona, a IA requer atenção das empresas: a expansão do uso não autorizado de ferramentas de inteligência artificial expõe dados estratégicos e pressiona lideranças a estruturar governança antes que o risco se torne crise.
O relatório Future of Professionals 2026, da Thomson Reuters, revela que 38% dos profissionais brasileiros usam ferramentas de inteligência artificial sem autorização das empresas, enquanto 39,1% afirmam não ter acesso a soluções corporativas disponibilizadas pelo empregador.
Patrocínio: Sicredi Pioneira e Ailos Viacredi Alto Vale