Governança corporativa evita conflitos e facilita processo decisório nas empresas

Por ACI: 30/07/2021

Governança não tem certo ou errado, e cabe sempre dar o primeiro passo. A afirmação é de José Eduardo Castilho, consultor, governance officer e um dos palestrantes do Webinar Empreender realizado nesta sexta-feira, 30, pela ACI, com o apoio do Capítulo do Rio Grande do Sul do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e o patrocínio de Sicoob MaxiCrédito. Além dele, também participaram Tatiana Regiani, assessora de governança corporativa da Oleoplan S/A, e Michelle Squeff, conselheira e coordenadora geral do IBGC no estado (mediadora).

A governança corporativa é um sistema que estabelece regras de conduta e transparência no processo decisório, de forma a conferir segurança e equilíbrio, visando o atingimento dos resultados de forma duradoura e sem interferência de interesses pessoais. “Assim, quando implantada, a governança corporativa propicia um ambiente de confiança e tranquilidade que facilita o processo de construção e o fortalecimento do relacionamento de acionistas, sem ocasionar prejuízos à dinâmica e ao desempenho da empresa”, acrescenta.

A maioria das empresas mantém uma Secretaria de Governança Corporativa (SGC) e um profissional responsável, o governance officer (GO), por assessorar os membros e órgãos de governança corporativa para o seu bom funcionamento. Pode ser tanto um profissional interno, que vive o dia a dia da empresa, quanto um externo (terceirizado), que dedica a ela parte de seu tempo. Os dois modelos são importantes, requerem experiência e precisam respeitar competências, sigilos e confidencialidades. Em algumas empresas, o papel é exercido por uma secretária executiva que desfruta da confiança da diretoria ou da família controladora.

“O modelo padrão de sistema de governança corporativa inclui conselho de família, conselho de acionistas, conselho fiscal, conselho de administração, diretoria executiva, comitês, auditoria interna, auditoria externa, área de governança e controles internos, mas cada empresa deve adequá-lo à sua realidade e cultura”, explica Castilho. Conforme ele, o processo de governança corporativa é evolutivo e vai abarcando novas atividades à medida que se consolida. Além disso, segundo ele, os resultados são melhores quando há sintonia do governance officer com a cultura da empresa e isenção em relação ao presidente do conselho e os demais conselheiros.

“É importante não perder o foco nos objetivos e procurar atender ao que a empresa necessita no momento”, sugere Tatiana Regiani. Em sua avaliação, o governance officer precisa saber enfrentar desafios e estar preparado para lidar com situações inesperadas. “Maturidade é condição primordial para o profissional ter sucesso e beneficiar a empresa”, acrescenta.

Pequenas empresas e startups

Apesar da resistência, empresas de pequeno porte e startups também podem valer-se da governança corporativa. “Governança corporativa existe em qualquer tipo de empresa. Mesmo aquelas que pensam que não têm, têm, sim, práticas relacionadas à área”, disse Tatiana Regiani.

Para aquelas que planejam iniciar sua jornada pela área de governança corporativa, ela sugere começar pelo acordo de sócios quanto aos papeis e às responsabilidades de cada um, às regras do processo decisório e à estrutura diretiva (diretoria, comitês e conselho, se for o caso). Em seguida, deve-se partir para o operacional, isto é, definir onde e quando as decisões vão ser tomadas, criar de um modelo eficiente de organização e definir como as deliberações vão ser registradas. “É preciso fazer com que aquilo que foi decidido seja direcionado a quem deve executar e para isso há diversas ferramentas, como calendário anual, agenda temática e atas”, detalha.

No início, é sempre recomendável falar com quem já tem experiência em governança corporativa e recorrer a profissionais do mercado, ter acesso a literatura especializada e buscar o apoio do próprio IBGC”, conclui Eduardo Castilho.

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