De tensões globais à realidade local complexa, os desafios que marcam a economia brasileira em 2026
Por ACI: 24/03/2026
Entre conflitos globais e incertezas internas, o cenário econômico do Brasil projetado para 2026 foi tema central da edição de março do Prato Principal, realizada nesta terça-feira, dia 24, no Centro de Eventos do Swan Novo Hamburgo. O encontro reuniu empresários e lideranças interessados em compreender os impactos recentes no ambiente econômico, especialmente diante do agravamento das tensões internacionais após ataques envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, que ampliaram o nível de instabilidade no cenário global.
A palestra “Os desafios do Brasil em 2026” foi conduzida por Igor Morais, economista-chefe e sócio da Vokin Investimentos, além de economista do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico. Em sua análise, ele contextualizou o cenário nacional a partir das incertezas externas, destacando que conflitos geopolíticos têm influência direta sobre variáveis como comércio internacional, energia e investimentos. “É uma mudança geopolítica gigante e rápida, que vai muito além de uma guerra”, ponderou Morais.
No panorama internacional, o economista ressaltou que disputas como a rivalidade entre Estados Unidos e China, os conflitos no Oriente Médio e os ataques digitais na Europa vinham reconfigurando o comércio global. A possibilidade de uma crise energética também entrou no radar, especialmente considerando que três em cada quatro barris de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o abastecimento mundial. Além disso, os Estados Unidos ampliaram o incentivo à produção local de semicondutores e reforçaram a exportação de gás natural liquefeito para a Europa, redesenhando cadeias produtivas e relações comerciais.
No contexto brasileiro, o economista destacou um mercado de trabalho com taxa de desemprego de 5,1%, mas marcado por forte desigualdade regional e dificuldades de inserção entre jovens de 18 a 29 anos. Mesmo com o aumento de 1,3 milhão de pessoas em idade ativa em 2025, uma parcela significativa permaneceu fora do mercado. O setor público respondeu por cerca de 1 milhão de contratações no período, alcançando quase 19% da força de trabalho, enquanto a informalidade seguiu elevada, atingindo 40% dos trabalhadores.
Desafios internos
Outro ponto de atenção foi o elevado nível de vulnerabilidade social e financeira. Cerca de 66 milhões de pessoas estavam fora da força de trabalho, enquanto 21,1 milhões recebiam benefícios sociais. Ao mesmo tempo, o país registrou 81 milhões de inadimplentes, o equivalente a 48% da população adulta, o que limitou o consumo das famílias. A inflação média de 3,81% apresentou variações regionais, pressionando principalmente os preços de alimentos, energia e combustíveis. “O próximo governo terá que fazer mudanças impopulares para reverter esse quadro”, argumentou.
Por fim, Morais destacou ainda problemas de financiamento a longo prazo da previdência social, um crescimento econômico nacional desigual, com o agronegócio liderando no Centro-Oeste, enquanto o Sudeste enfrentou os efeitos de juros elevados. A indústria manteve concentração no Sul e Sudeste, com desempenho heterogêneo entre setores, ao passo que o turismo apresentou expansão, especialmente no Rio Grande do Sul.
O Estado, no entanto, também enfrenta desafios demográficos relevantes, como o envelhecimento populacional, a queda na população jovem e a migração para outras regiões. O evento encerrou com a avaliação de que o Brasil precisa avançar em ajustes fiscais e políticas estruturais para enfrentar um cenário de incertezas, reforçando a importância do acompanhamento constante do ambiente econômico global.
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