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Notícias

17/07/2021

As aulas presenciais devem voltar de fato!

Nos manifestamos sobre educação em 27/04, exortando a todas as partes envolvidas no processo de reabertura das escolas para que, através de suas ações, e não apenas de suas declarações, colocassem-na como realmente prioritária. E, passados quase três meses, vemos que muito pouco foi feito neste sentido.

Pois vejamos: as horas/aula presenciais nas escolas públicas ainda são escassas, as aulas à distância continuam de forma precária, em sua esmagadora maioria, e não se tem uma perspectiva de uma melhora desta situação, ao menos no médio prazo.

E a questão vacinação, que era cobrada pelos sindicatos que representam os profissionais da educação, foi resolvida, pois atualmente a quase totalidade destes já está vacinada. Temos, também, o avanço no conhecimento de como a Covid afeta os jovens e as crianças. Segundo o médico Marco Sáfadi, presidente dos departamentos de infectologia e de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, “temos que ter humildade e reconhecer que houve erros na avaliação inicial sobre o impacto da doença em jovens e crianças, algo plenamente justificável pelo desconhecimento da mesma”. 

Segundo ele, o grupo que abrange pessoas de 0 a 19 anos de idade tem taxas de infecção e transmissão de 2% do total e 0,3% do total de mortes (e o número de pessoas nesta faixa etária chega a quase 30% da população em nosso país). Ou seja, se, lá no início, acreditava-se que esta parcela da população seria o maior vetor de contaminação e por isto mesmo deveria ser mantida isolada, depois de um ano e meio de pandemia e profunda análise das contaminações e mortes, viu-se que, na prática, ocorreu exatamente o contrário, sendo que ela tem baixíssimos índices de contaminação, transmissão e mortes. Aliás, a Organização Mundial da Saúde já chegou, desde o final do ano passado, a este mesmo entendimento.

No que diz respeito à pandemia, vemos que ela, finalmente, dá sinais claros e inequívocos de que está chegando a um estágio controlado e que a Covid-19 em breve passará a ser considerada uma doença endêmica, como a malária, a febre amarela, etc. Mesmo com a possibilidade das novas cepas, vemos que os números de contaminação e mortes caíram a um terço daqueles registrados no auge, que há leitos e insumos à vontade e que os profissionais da saúde têm, agora, uma expertise muito maior para tratar os pacientes do que tinham lá no início.

Temos ainda o exemplo que vem das principais nações do mundo, as que de fato têm a educação como prioridade e, talvez por isto mesmo, índices de desenvolvimento muito melhores do que os nossos. Lá, as escolas foram as que menos tempo ficaram fechadas, pois eles sabem o quanto são prejudiciais a toda a sociedade falhas na educação de crianças e jovens, no aspecto intelectual e social. E este nosso atraso em voltar ao ensino presencial nas escolas públicas ampliará ainda mais o fosso entre os que estudam nestas escolas e os que estudam em escolas particulares, mesmo que estas últimas também tenham ficado fechadas por tempo demasiado, devido a pressões desmedidas por parte de grupos de interesse e decisões equivocadas por parte dos governantes.

A impressão que fica é a de que estão tentando “empurrar” a volta, de fato, às aulas presenciais para o ano que vem, talvez com a ideia de que, “já que se perdeu tanto tempo, alguns poucos meses a mais não farão diferença”. Pois isto é um absurdo, um crime e uma absoluta falta de respeito às necessidades destes estudantes! Qualquer hora a mais de aula que se perder, ou que for dada da forma precária, como tem sido até agora, é uma hora a menos no desenvolvimento deste aluno, que somar-se-á a este quase um ano e meio já praticamente perdidos.

Por isto, reiteramos nossa posição, de três meses atrás e de sempre: prioridade absoluta à educação, e que as aulas presenciais retornem, de fato, nesta segunda-feira!

Marcelo Lauxen Kehl
Presidente ACI-NH/CB/EV