Agentes de IA liberam RH para desenvolver atividades estratégicas

Por ACI: 19/05/2026

O RH que não se posicionar agora pode ser automatizado e não transformado. O chamado à ação é de Rodrigo Koetz de Castro, diretor de tecnologia e chefe de Inteligência Artificial da empresa especializada em consultoria e serviços gerenciados de tecnologia SOU, que foi o palestrante do Café da Manhã Gestão de Pessoas que a ACI realizou nesta segunda-feira, 18, no Espaço Conexão, em Novo Hamburgo.

A atividade teve a moderação de Liziane Cardozo, gestora de RH da Novopé Calçados e integrante do Comitê de Recursos Humanos da ACI.

Abordando o tema Do operacional infinito ao RH de alto impacto, Rodrigo apresentou diversos Insights sobre adoção de IA e o reposicionamento estratégico do RH. Os agentes de IA proporcionam benefícios expressivos ao RH, como transformação da  rotina, liberação de tempo, redução do retrabalho e aumento do impacto real do time.

Conforme ele, a IA não é mais uma opção para as empresas, mas o sucesso não está na tecnologia em si, e sim na forma como é utilizada para promover a cultura, o propósito e a estratégia. 

O momento, contudo, é de ação com responsabilidade. Por isso, o especialista sugere começar pelo óbvio (pelas atividades mais simples) para gerar valor visível em 90 dias, governar com transparência e liderar tendo o RH como hub da transformação. “É possível obter resultados com o uso de agentes de IA após os primeiros meses no RH, como autoatendimento para funcionários, redução dos tempos de contratação e integração e fortalecimento da cultura digital”, explicou.

Pesquisa da empresa nexos.ai indica que, no Brasil, 50% das empresas sequer usam IA de forma estruturada e 58% das que a usam estão em estágios iniciais. Conforme o palestrante, existe uma grande distância entre ter IA no radar e ter IA gerando valor real. A maioria das empresas e profissionais está presa no 'vale da experimentação' “Um dos fatores que travam é o medo. A insegurança não é irracional, mas empresas paralisadas pelo medo não precisam de mais tecnologia: precisam de governança”, explicou.

Comportamento do RH frente à IA

Conforme outra pesquisa feita pela hrdegree.org, há uma concentração no uso de IA no RG das empresas: 69% a empregam no recrutamento e 66% para descrições de vagas. Em outras palavras, treinamento e desenvolvimento (T&D) e planejamento da força de trabalho, que são estratégias complementares de gestão de pessoas, são subexplorados.

89% dos profissionais de RH que já a utilizam dizem que a IA economiza tempo significativo no recrutamento, mais de 50% reportam decisões mais rápidas e quase 50% citam economia de custo. Isso indica que o RH pode migrar de executor operacional para integrador entre negócio, tecnologia e pessoas.

Sem valer-se de agentes de IA, porém, o RH arrisca perder relevância estratégica, ter governança insuficiente, deixar de automatizar funções em que isso é possível e criar desconexão com o colaborador.

O RH pode liderar a transformação começando por ações imediatas de alto impacto, como automatizar o óbvio primeiro (as perguntas frequentes (FAQs), o agendamento e o onboarding repetitivo), liberando horas para a estratégia. Depois, pela requalificação e por novas competências, pode desenvolver literacia em IA para todo o time, passando a avaliar modelos, identificar viés e governar dados.

Agentes de IA na SOU

De forma online, a gestora de pessoas e cultura da SOU, Mylena Maia, apresentou alguns agentes de IA já utilizados pela empresa: um responde às perguntas frequentes dos colaboradores (como os benefícios oferecidos, por exemplo), outro faz avaliação de pessoas e o terceiro faz descrição de cargos e salários. O próximo agente será utilizado para elaborar a folha da pagamento. 

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