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Notícias

21/02/2021

Que sejam atacadas as reais causas da contaminação, e não as nossas empresas

    Reconhecemos, desde março de 2020, que nos encontramos diante de uma emergência sanitária sem precedentes, e defendemos sempre que os cuidados para evitar o contágio deveriam ser levados muito a sério. Ou seja, o uso de máscara, o distanciamento e a higienização das mãos são ações indispensáveis para deixarmos para trás a ameaça da Covid-19 e, agora, a vacinação chegou para resolver definitivamente a situação. Fizemos, inclusive, diversas campanhas publicitárias neste sentido.

    Aplaudimos o governo federal quando, rapidamente, criou o auxílio emergencial e o programa de apoio ao emprego e renda, além de transferir vultosos valores a estados e municípios para que pudessem fazer frente aos gastos com o combate à pandemia e à queda da arrecadação causada pela mesma. Por outro lado, criticamos a postura deste mesmo governo quando relativizou o problema e tomou algumas decisões importantes neste combate apenas após a pressão da opinião pública. Como principal exemplo disto, temos a aquisição das vacinas, que poderia ter sido feita meses antes do que de fato ocorreu.

    Quanto aos governos estadual e municipais, cremos que tomaram, via de regra, decisões que visavam a proteção à população, embora questionemos algumas delas. Como exemplo, podemos citar, em dado momento, a redução do horário de funcionamento do comércio, algo frontalmente contra o bom senso e a ciência, quando o correto seria alongar este horário exatamente para evitar a concentração de pessoas em um mesmo local e horário. E vemos como um erro crasso fechar os negócios formais com a alegação de que isto diminuiria a contaminação.

    Pois, vejamos: os nossos negócios voltaram a funcionar, após algum tempo, mesmo que com algumas restrições. Nossas empresas, desde o início, cumpriram e foram além dos protocolos determinados pelos governantes para liberar o funcionamento das mesmas. Pois julgamos isto nossa responsabilidade e não vemos como agir de forma diferente, pois arriscarmos a ter colaboradores ou clientes infectados em nossos ambientes é algo impensável, tanto do ponto de vista de saúde pública quanto para a viabilidade do negócio. E, mesmo assim, o número de casos e de mortes oscilou, algumas vezes para cima, outras para baixo. Ou seja, a contaminação ocorria, e ocorre, fora de nossas empresas.

    Entendemos e apoiamos a preocupação dos governantes com o elevado número de contaminações, de mortes e, neste momento, a ameaça de colapso à capacidade de atendimento da estrutura de saúde. Mas já ficou claríssimo, ao longo deste quase um ano, que isto não ocorre devido ao funcionamento de nossos negócios. Inclusive podemos afirmar, sem medo de errar, que, se as empresas fossem liberadas para funcionar livremente, assim como as escolas (seguindo os protocolos, é claro!), teríamos muito menos contaminações do que temos hoje. Pois estas ocorrem nos momentos de lazer e de ócio, em festas e aglomerações desnecessárias e, ao manter-se a maior parte das pessoas em suas ocupações normais, estes eventos diminuiriam sensivelmente.

    Assim, apelamos ao bom senso das autoridades para que, sim, preocupem-se e busquem resolver esta grave crise sanitária, mas que cerceiem aquelas pessoas e situações que contribuem, efetivamente, para isto, e não partam para a solução mais fácil, simplista e nada efetiva, que é a de fechar nossos negócios formais!

Marcelo Lauxen Kehl
Presidente da ACI-NH/CB/EV