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06/07/2020

O cheiro da madeira o encantava

Júlio, Waldir e Delci: da colônia para a cidade grande, produzindo móveis para todo o Brasil

Júlio, Waldir e Delci: da colônia para a cidade grande, produzindo móveis para todo o Brasil

Formado na AFE (Arado, Foice e Enxada), o homem que criou e transformou em referência tecnológica uma fábrica de móveis em Novo Hamburgo me recebeu para falar da sua trajetória pessoal e empresarial. Fundador da Formóveis, marca vendida em todo o país, o senhor Waldir Ludwig fez de tudo um pouco na vida e nos mostra como a persistência é fundamental para alcançar o sucesso.

“Até os 17 anos eu trabalhei na roça. Por um período curto, fui empregado numa fábrica de móveis e aquilo mexeu comigo. Sempre tive alguma coisa com a madeira. Na escola, adorava fazer eram os trabalhos manuais. Tinha uma marcenaria no colégio e quando nos permitiam pegar as madeirinhas que iriam para o lixo, aquilo era tudo para mim. O cheiro da madeira me deixava encantado.”

Aos 18 anos foi servir ao exército e, por ter o registro de marceneiro na carteira de trabalho, foi encarregado dessa área no regimento e sentiu a importância da profissão. Relembra as amizades que fez com oficiais que nunca teria acesso se não fosse pela marcenaria. “Eu era disputado, estava sempre lotado de coisas para fazer. Afinal, todo mundo tem sempre uma coisinha pra arrumar em casa.”

Com 35 anos, resolveu deixar o noroeste do estado. Saiu de Três de Maio, com a mulher Delci e o filho Júlio, para tentar a sorte na cidade grande. Ao chegar em Novo Hamburgo, não buscou colocação no calçado, como todo mundo. Foi procurar emprego numa fábrica de móveis, claro. O proprietário não tinha vaga e sugeriu que ele fizesse artesanato para se manter. Fez porta-cuia e outros artigos que muitas vezes eram moeda de troca por comida nos mercados.

A esposa empregou-se como doméstica e como gostaram dela, a família para a qual trabalhava ofereceu uma casa na Vila Rosa. O jovem casal mudou-se de Canudos e foi no novo bairro que seu Waldir conseguiu o primeiro emprego numa marcenaria, depois de muito tempo fazendo artesanato e bicos.

“Nessa empresa, que era de móveis em série, fiquei por um ano. Depois fui trabalhar numa que fazia móveis sob medida, onde fiquei uns 2 anos e, posso dizer, foi lá a minha faculdade, aprendi a lidar com o cliente final entre muitas outras coisas importantes para quem quer ter o seu negócio. Aliás, sonho que eu tinha desde criança.”

Com o dinheiro da rescisão, percebeu que poderia dar entrada numas maquininhas e foi assim que sua história mudou. Teve algumas sociedades, comenta, mas chegou o momento de unir a família em torno do negócio e então começaram Delci, Júlio e ele, a Formóveis. “Todo serviço era feito de forma artesanal, cortando peça por peça. Isso foi durante uns 10 anos e já contávamos com 16 marceneiros.” Delci atuava como financeira e também como pintora.

A vida de trabalho lhe reservara um novo ciclo, mais tecnológico. “Eu estava contratando um novo funcionário e ligou um rapaz. Perguntei se era marceneiro e respondeu que “era quase” e precisava de uma chance. Convidei e ele veio conhecer a fábrica. Olhou para um lado, olhou para o outro e de repente me disse... Seu Waldir, posso lhe dizer uma coisa? O senhor vai me desculpar, mas o senhor está muito errado.. O senhor precisa investir em máquinas, em tecnologia.”

Como esse rapaz tinha vivenciado a transformação de uma outra empresa, que saiu dos móveis sob medida para os planejados, decidiram contratá-lo. O Júlio, filho do seu Waldir, entrou de cabeça na parte tecnológica, buscando softwares e alternativas novas, sempre com o aval da Formóveis. “Foi muito sofrida essa transformação, mas a gente confiou e, graças a Deus, conseguimos unir a tecnologia com minha experiência de marceneiro do passado. O Júlio foi uma peça-chave naquele momento e continua sendo até hoje.

Hoje a Formóveis é uma loja de fábrica que atende todo o Brasil. O software da empresa é instalado nos computadores dos lojistas, que fazem através do nosso sistema, o projeto e o orçamenta e, depois de aprovado pelo cliente, mandam para a fábrica em Novo Hamburgo produzir as peças.

Pergunto se Canudos é um bom lugar investir. O fundador da Formóveis responde com emoção: Eu amo Canudos. Para mim Canudos e Novo Hamburgo são tudo. Não troco por nada!

Fonte/Associado: Jorge Trenz Negócios Imobiliários