Taxa de juros deve ficar acima do previsto em 2026

Por ACI: 09/05/2026

Em novo vídeo para a série Papo de Economia, o vice-presidente de Economia da ACI, André Momberger, comenta a decisão recente do Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, e do Banco Central do Brasil em relação à taxa de juros.

Conforme Momberger, o anúncio é sempre um evento muito esperado pelo mercado financeiro, especialmente no Brasil, que vive o início do ciclo de baixa da taxa de juros. A expectativa dos investidores e analistas era qual seria a extensão do corte desta vez, tendo em vista uma série de fatores econômicos.

O país, assim como os demais, está sujeito às oscilações político-econômicas globais. O mundo está sendo fortemente impactado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, cujas previsões indicavam que seria curta, mas que se prolonga há quase três meses sem qualquer indicativo de fim.

A indefinição faz subir a temperatura do mercado, que começa a mudar sua expectativa em relação à taxa de jutos e à inflação. A alta do petróleo tem implicações na cadeia produtiva mundial, o que afeta a logística internacional e faz subir a inflação. Em consequência, as políticas econômicas dos principais mercados começam a alterar-se, inclusive nos Estados Unidos, onde a expectativa era de continuidade da baixa da taxa de juros. A última reunião do Fed, contudo, manteve a taxa em 3,5% e, aparentemente, mesmo com a saída do atual presidente, Jerome Powell, e a posse de um novo, não será reduzida.

“Uma análise da situação permite ver que não haverá tão cedo a volta da baixa da taxa de juros por lá e, por consequência, no Brasil. A expectativa inicial do Banco Central e do mercado financeiro era encerrar 2026 com a taxa de juros na faixa de 12,5%. Mas os indicadores dos Fundos DI vêm subindo muito nas últimas semanas porque a expectativa inflacionária mudou. A meta de inflação é de 3%, mas pode chegar até 4,5%. Nesse momento, porém, a expectativa está ancorada em 4,9%, o que faz mudar a percepção do BC em relação à taxa de juros e dificilmente a queda terá continuidade. Com isso, o mercado financeiro já precifica a taxa de 13,8% e projeta até mesmo que o ciclo pode se encerrar em 14%”, explica Momberger.

Receba
Novidades