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Notícias

08/11/2018

Um veto para ficar na história!

A votação no Senado Federal que aprovou o reajuste do salário dos Ministros do Supremo Tribunal Federal - STF - de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil merece o repúdio da sociedade brasileira honesta. Uma pauta-bomba que privilegia o corporativismo do judiciário - através de sua mais alta representação – e que precisa ser derrubada através do veto do presidente Michel Temer.

Afinal, alguém tem de fazer as vezes da razão e do respeito neste Brasil em algum momento.

Neste ano, segundo cálculo do Fundo Monetário Internacional, a dívida pública brasileira já alcançou cerca de 85,9% do Produto Interno Bruto, dando sequência a uma métrica crescente no descontrole de gastos, ano a ano.

Em 2018, reformas urgentes e necessárias como a da Previdência Nacional foram retiradas dos debates e das votações no Congresso Nacional em razão do foco pessoal e partidário dos parlamentares na busca por uma reeleição.

Privilegiaram-se pautas eleitoreiras ao custo de autorizações para gastanças desenfreadas, sem qualquer preocupação com o destino de nossos impostos, muito menos com os propósitos e resultados destes gastos em prol do contribuinte.

Nesses 10 meses pagamos diretamente com os nossos suados impostos a “solução” governamental para reverter a paralisação selvagem por parte dos caminhoneiros, e seguimos com resultados assustadores de desemprego na nossa indústria calçadista local, que de forma exemplar atravessa estes tempos de crise cortando custos, otimizando processos produtivos e buscando colocar
pedidos num mercado doméstico recessivo e num mercado internacional altamente competitivo.

A notícia da concessão de um reajuste de 16,38% voltado aos próprios bolsos de Vossas Excelências - os Ministros do STF - choca e coloca em descrédito o equilíbrio e arranha de maneira insofismável a imagem desta instituição nacional.

Em razão do chamado efeito cascata, o reflexo de um eventual aumento desta ordem impactará em cerca de R$ 4 bilhões de reais os cofres públicos – o equivalente ao déficit estimado para este ano nas contas públicas estaduais.

A aprovação deste aumento comprova o descompromisso total do Poder Judiciário com a realidade fiscal e social brasileira e renova a força do pensamento do grande economista Roberto Campos quando defendia que “...a rés pública virou cosa nostra”.

O STF sai agora em defesa própria argumentando que através desta concessão de aumento estaria ajustando as perdas inflacionárias e compensações pelo famigerado auxílio-moradia. Auxílio este que já custou aos cofres públicos (irrigados pelo nosso dinheiro, é bom lembrar) cerca de R$ 5 bilhões.

Tal benefício é concedido, em sua ampla maioria, àqueles que residem e trabalham no mesmo município, o que autoriza a utilização da nomenclatura de penduricalho para justificar o incremento no contracheque dos juízes de todo o país.

Sendo assim, a votação do Senado Federal representa tão somente a unção destes parlamentares ao desenfreado apetite por privilégios imorais das classes corporativas brasileiras.

A destacar também a lamentável ausência dos 3 senadores gaúchos – Ana Amélia Lemos, Lasier Martins e Paulo Paim - que foram eleitos por nós gaúchos para nos representar em momentos como este que aqui enfrentamos.

Isso precisa acabar se quisermos de fato um novo Brasil.

Presidente Temer, o seu momento histórico é agora.

É preciso vetar este acinte contra a sociedade brasileira e exercer seu poder constitucional de veto a mais esta proposta esdrúxula de aumento contra o Brasil.

Contamos com sua coragem, presidente Michel Temer.

ACI-NH/CB/EV