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Notícias

18/06/2019

Desafios para a Gestão na Empresa Familiar

Estamos vivendo uma era de profundas transformações sociais, tecnológicas, econômicas e ambientais. O cenário de negócios está cada vez mais instável e imprevisível, exigindo das empresas agilidade e grande capacidade de adaptação. Modelos de negócio sólidos e vencedores estão se tornando obsoletos rapidamente. A ruptura está presente em todos os setores, colocando em risco a sobrevivência de diversos negócios. O que sua empresa está fazendo para enfrentar todos esses desafios?

Em um levantamento de dados com líderes de empresas familiares na região, a maioria reconhece que precisa aprimorar sua gestão e capacidade de inovação. No entanto, grande parte dessas organizações está pouco aberta a mudanças, não possui um plano de sucessão, e carece de gestão profissionalizada e de inovação. Considerando todo esse contexto, como as empresas familiares podem preservar o que funciona e inovar onde é necessário?

Boas práticas de Governança Corporativa podem contribuir para uma gestão mais eficaz de empresas familiares de qualquer porte ou segmento de atuação. A implantação de um Conselho Consultivo ou de Administração, Comitês de Assessoramento, Auditoria Interna, entre outras iniciativas, contribuem para a sustentabilidade e longevidade da empresa, à medida que potencializam a capacidade de formulação de estratégia, favorecem a inovação, melhoram a gestão, e ajudam a reduzir potenciais riscos do negócio.

O Conselho Consultivo tem como objetivo principal assessorar e direcionar a gestão da empresa através de uma visão estratégica de longo prazo, contribuindo para realização do planejamento e obtenção dos resultados desejados. O Conselho deve seguir um calendário de reuniões periódicas, sempre visando garantir que as decisões sejam bem discutidas e registradas, e pode ser composto por sócios da empresa, gestores e por conselheiros externos. Quanto maior a diversidade de formações e experiências do grupo, melhor. O Conselho Consultivo pode iniciar com reuniões mais informais, aumentando sua formalização gradualmente à medida que vai amadurecendo, podendo vir a se tornar um Conselho de Administração.

O Conselho pode criar Comitês de Assessoramento como, por exemplo, um Comitê de Estratégia, de Inovação, de Pessoas, e assim por diante, conforme as prioridades da empresa. Estes Comitês são grupos de trabalho responsáveis pelo detalhamento e execução de projetos estratégicos definidos e aprovados pelo Conselho.

A implantação de uma Auditoria Interna proporciona um sistema de controle para supervisionar a gestão e monitorar os riscos empresariais, visando prevenir potenciais eventos que possam comprometer a continuidade da empresa.

O excesso de informalidade, relativamente comum em empresas familiares, deve ser eliminado através da profissionalização da gestão e de estímulo à meritocracia, com definição de critérios e regras claras para sucessão e ingresso de novas lideranças, sejam elas da família ou externas. Um grande desafio para os novos líderes consiste em identificar e preservar os pontos positivos da cultura organizacional e qualidades únicas da empresa, conciliando estas vantagens competitivas às novas demandas de mercado e oportunidades de negócio disponíveis. A organização deve assumir seu papel de protagonista das mudanças, com capacidade de antever tendências e quebrar paradigmas. As alternativas incluem não só desenvolvimento de novos produtos e serviços, mas análise de novos modelos de negócio, aproximação com startups e ecossistemas de inovação, e disposição para mudanças na estratégia.

A Governança favorece, conjuntamente, a profissionalização da empresa e da família empresária, promovendo aos seus membros uma percepção mais ampla e sistêmica das diversas partes envolvidas, seus interesses, obrigações e restrições, evitando potenciais conflitos que possam comprometer os resultados dos negócios e a harmonia familiar.

Todas essas boas práticas de Gestão devem ser complementadas com iniciativas relacionadas à Governança da Família e da Propriedade, que juntamente com a empresa, compõem os três círculos da Governança na empresa familiar.

Ronaldo Schmidt Grangeiro
Integrante do Comitê de Governança Corporativa da ACI-NH/CB/EV