Dia Internacional da Mulher na ACI é lembrado com trajetórias reais
Novo Hamburgo/RS - Através da Comissão de Mulheres Empreendedoras, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha marcou o Dia Internacional da Mulher com a apresentação das trajetórias de cinco empresárias, com diferentes origens mas que mostraram suas caminhadas de sucesso. A programação contou com a participação de Liziane Richter, Rosa Huyer, Traude Schneider, Arlete Roncatto Accurso e Fatima Daudt, para um público com dezenas de participantes que lotou o Salão de Convenções da entidade, na segunda-feira (8).

Com histórias individuais e compondo uma realidade local, as empresárias contaram suas conquistas, as dificuldades pessoais que passaram e o sentimento de vitória de chegarem onde estão hoje. A estilista Liziane Richter deu início ao evento, apresentando suas origens no município de Cruz Alta, a vinda à Porto Alegre para estudar no Colégio Rosário, a faculdade de Pedagogia na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica) e a abertura de uma loja com a mãe, então chamada Rabo de Saia, ainda na capital gaúcha. "Eu tinha 17 anos quando descobri que queria trabalhar com moda", recordou.

Aos 23 anos lançou sua primeira coleção, com moletons. Sua vida teve a primeira mudança profissional quando passou a residir em Novo Hamburgo, onde foi representante de vendas de material em couro. "Foi então que passei a desenvolver o produto. Queria que as pessoas se sentissem abraçadas pelo couro. E tive muita ajuda da família e de amigos para seguir em frente". A partir de então abriu um showroom em casa. Em 1984, fez seu primeiro desfile, com vestido de noiva em couro, o que chamou a atenção dos figurinistas da Rede Globo, começando a fornecer suas confecções para as produções da televisão. A primeira foi a novela América. Nesta época, a filha Camila também passou a se interessar pelo mesmo ramo, se transformando em seu braço direito no trabalho. Nasceu então o Espaço Liziane Richter.

PARADIGMAS - "Somos de uma geração que questionou muito, chorou por escolhas, quebrou paradigmas, ousamos ao fazer diferente, conseguimos grandes conquistas e muitas mudanças", afirmou a empresária Rosa Huyer, proprietária da Proderma, pioneira em farmácia de manipulação no Vale do Sinos. "Sempre quis ser uma pessoa produtiva e ter meu próprio negócio". Foi assim, que no final do ano de 1979 ela inaugurou seu primeiro empreendimento, no sétimo andar do prédio da Galeria ACI.

"Há 30 anos não fazíamos pesquisa de mercado, não tínhamos a orientação em gestão que se tem atualmente e por isso abri o negócio sem saber muito. Com o tempo e a experiência, foram ocorrendo as mudanças necessárias, fui me especializando e, ao mesmo tempo, aprendi que somos um tripé: corpo, cabeça e espírito". Rosa foi participante do Comitê da Qualidade da ACI, realizando as oficinas de qualidade da época. "Isto foi um divisor de águas na minha vida profissional, pois passei a adequar meus negócios. Hoje posso afirmar: jamais deixem de lutar e ir atrás daquilo que vocês sonham."

Já a trajetória de Traude Schneider teve início cedo, quando ainda criança manifestou seu desejo de ser professora. "O magistério era o sonho da minha vida", afirmou a educadora, ao recordar momentos de estudante vividos na Escola Osvaldo Cruz e na Fundação Evangélica. "Éramos 200 meninas e o ensino bastante rígido. Mas, estas exigências contribuíram para a minha formação. Nunca me fez mal e hoje vejo o quanto se perdeu na educação com pontos importantes que não existem mais". Sua formação no magistério foi no Colégio Santa Catarina. Após, foi chamada para lecionar na Osvaldo Cruz, onde permaneceu por 29 anos e, inclusive, foi direta da escola. "Depois de 15 anos dando aula, decidi fazer a faculdade de pedagogia". Mais tarde, cursou Filosofia. "Aproveitei cada minuto das aulas, como se estivesse comendo um doce devagarinho", recordou. À convite de uma amiga foi atuar na Liga Feminina de Combate ao Câncer (LFCC), onde atualmente é a presidente. "É um trabalho desafiador, pois o voluntariado tem que ser realizado no verdadeiro sentido".

A IMPORTÂNCIA DELES - "Tenho dois homens importantes na minha vida: meu pai e meu marido. E com o apoio deles e minha dedicação, cheguei onde estou", afirmou Arlete Roncatto Accurso, diretora do Senai de Novo Hamburgo e Campo Bom. Aos dez anos ela quis trabalhar. Foi então aprender pintura em tecido no Sesc e, com a ajuda da avó, conseguiu financiar seus primeiros tecidos e tintas. "Comecei a vender num salão de beleza e deu certo". Cursou a faculdade de Biblioteconomia e Documentação, na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). "Já ouvíamos falar que a informação era a chave para o próximo século. Este seria o diferencial e eu, fui atrás", relembra.

Sua atuação profissional teve início numa empresa no município de Guaíba, trabalhando com pesquisa de informação para a área de não tecidos e aplicações na agricultura e em setores industriais. Já casada e também mãe, optou por abrir seu próprio negócio em casa, "numa época em que o comentário geral era de que quem trabalhava em casa tinha tempo sobrando. Imagina..." O empreendimento no ramo de decoração e festas durou dois anos. Ela então decidiu participar de um processo de seleção num projeto do Senai. Passou e, ao mesmo tempo, foi fazer especialização em qualidade. Atuou, também, junto ao Comitê da Qualidade da ACI, indo em busca de uma vaga que se abriu para diretora do Senai na cidade de Bento Gonçalves. Novamente foi aprovada, onde permenceu por três anos. "Quando surgiu a oportunidade do mesmo cargo em Novo Hamburgo, comecei tudo de novo, passei por novo processo seletivo e, desde novembro do ano passado, assumi as duas unidades de Novo Hamburgo e a de Campo Bom", orgulha-se, onde coordena 70 colaboradores e mais de 500 alunos em cursos regulares, sem contar os alunos dos cursos rápidos.

APRENDIZADO - A atual presidente da ACI-NH/CB/EV, empresária Fatima Daudt, fez o encerramento do evento, com a apresentação de sua trajetória profissional durante a reunião-almoço. Afirmando que foi uma criança muito ativa e uma adolescente quieta, aprendeu a superar desafios e a enfrentar novos públicos através da experiência que teve ao mudar oito vezes de escola. "Meu pai atuava no Rio de Janeiro e em Novo Hamburgo, então precisei fazer os estudos em diferentes escolas, conhecendo sempre novas pessoas e formando novas amizades". De origem portuguesa, Fatima começou a trabalhar aos 15 anos, como desenhista de calçados, uma herança do pai e tendo todo o apoio da mãe. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo e atualmente cursa pós-graduação em Gestão estratégica do território urbano, na Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos).

Sua primeira empresa foi formada aos 23 anos e a segunda, aos 32. Casada e mãe de dois filhos, a empresária tem, desde os 29 anos, envolvimento com clubes, entidades de classe e grupos assistenciais. "Fomos criados para não termos melindres e, ao mesmo tempo, sentar numa mesa de reunião e conversar com qualquer pessoa", enfatizou. Sua trajetória na ACI começou como integrante do Conselho de Serviços. Depois, foi convidada a assumir a vice-presidência desta pasta. Na sequência, foi indicada ao cargo de presidente da entidade, como primeira mulher a ter realizado este feito. E foi reeleita para sua atual gestão. "O que falta hoje, no meu entendimento, é um maior envolvimento pela coletividade. E é neste caminho que temos que seguir. As nossas vivências é que nos dão sustentação e nos ensina a ser intuitivos", salientou Fatima Daudt, complementando que "os pensamento femininos e masculinos formam uma mistura fantástica, com excelentes resultados".

"Tudo que eu faço é em cima do que eu acredito. E acredito muito na diversidade. Várias pessoas pensando diferente resultam em iniciativas maravilhosas. O respeito pelas opiniões precisa ser de uma forma tranquila. Isto não quer dizer que não há necessidade de firmeza em certos momentos. E é por isto que ainda precisamos lembrar o Dia Internacional da Mulher. Possivelmente, nossos netos ou bisnetos não ncessitarão mais de uma data para marcar a importância que a mulher tem, ao lado do ser masculino, sem concorrências, mas sim se complementando", finalizou.

MENSAGEM - A diretora-administrativa da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Erli Terezinha dos Santos, a Tata, leu uma mensagem enviada pela governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, parabenizando a todas as mulheres presentes no evento e elogiando o trabalho desenvolvido pela presidente da ACI.
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A coordenadora da Comissão de Mulheres Empreendedoras da ACI, Carmem Kauer, apresentou as demais integrantes do grupo, agradecendo a participação de todos e o sucesso do evento, que também contou com a apresentação do músico Cláudio Veiga. O patrocínio foi da Antonielle, Casaria, Drops de Menta, Estrelatur, Exame Laboratório, Marmogran e Vike Aparelhos Auditivos, com apoio do Jornal NH, Rádio ABC, Dona Flor Floricultura, Cia das Cópias, Geraldo Raupp, Vanity, Garagem do Cheff, Cris Manfro, Coopsinos, Conexo, Sinos Luz, Empório Santa Terezinha, Liziane Richter Couros e Golfinho Escola de Natação.
De Zotti - Assessoria de Imprensa
Em 8/3/2010