"O Brasil está bombando"
Com esta frase o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Unisinos
demonstrou seu otimismo em palestra na ACI
Novo Hamburgo/RS - O Setor de Estatística da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha realizou, na terça-feira (05), mais uma edição do Economia & Negócios. O palestrante foi o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Unisinos, Sérgio Leusin Júnior, que falou sobre "As classes sociais e o consumo no Brasil: cenário atual e perspectivas futuras".

Interagindo com o público presente, ele abordou temas como o cenário econômico atual, as causas da expansão recente do consumo das famílias brasileiras, as classes sociais no Brasil, o atual ciclo de consumo no Brasil e o cenários econômico para 2011, demonstrando grande otimismo a respeito de economia brasileira e a das melhoras nos índices sociais. "O Brasil vive uma fase muito boa, ficar apenas reclamando de juros altos é ilusório. Para entender melhor o que está acontecendo temos que admitir que estamos ainda em fase de adaptação ao mercado de consumo de massa", advertiu Leusin.

Para Leusin uma das principais transformações de nossa economia, desde os anos 1980, é a de que, neste período, éramos reféns do varejo, ou seja, era preciso comprar tudo de uma vez só para estocar, em função da hiperinflação e da baixa oferta de produtos. "Se pensarmos atualmente isso é um absurdo, pois quem compra antecipadamente? Quem tem freezer em casa atualmente? Antes era artigo de primeira necessidade, pois tínhamos que estocar tudo. Nas empresas era a mesma coisa, tínhamos que comprar tudo de uma vez só, e não deixar dinheiro parado no caixa, pois vinha a inflação e de um dia para o outro o lucro ia embora", explanou.

Na opinião do economista, o único pecado que ainda pagaremos por um longo período é a falta de investimentos em infraestrutura, o que para Leusin emperra o crescimento do país nos 5,7% ao ano, em média. "Este ano teremos um crescimento extraordinário, por volta dos 7,5%, mas não esperem isto para 2011. Teremos o melhor Natal de todos os tempos em 2010, o que manterá a economia aquecida no princípio de 2011. Mas, infelizmente, mesmo com grandes investimentos feitos nos últimos anos em infraestrutura, o seu ritmo é muito lento, e ficamos muito tempo sem investir nessa área", explica Leusin.
INCLUSÃO - Segundo o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Unisinos, o grande legado deste aquecimento econômico que estamos vivendo nos últimos anos será a inclusão de uma grande camada da população que antes não tinha expectativas de consumo e que passava à margem das grandes redes de supermercados e de grandes lojas de eletroeletrônicos. "Essa é a maravilha do crédito, para estas pessoas, não importa se terão de levar 20 meses para pagar, eles estão preocupados com o prazer momentâneo que o televisor novo irá proporcionar. Muitos vêm isso como um absurdo, mas não, são pessoas que estão agora empregadas formalmente, e que agora sentem-se seguras para realizar seus sonhos. Temos essa mania de julgar estes atos como negativos, mas não, temos que enxergar além da nossa realidade. O Brasil é muito grande, e a verdade é que desconhecemos o nosso país, desconhecemos a periferia", alerta Leusin.
O especialista lembrou, ainda, que pela primeira vez na história o Brasil tem um ciclo de crescimento de 21 trimestres seguidos. Com isto 20% de novas pessoas puderam ser incluídas no ciclo de consumo, gerando além de impostos, novos postos de trabalho e renda. "Ainda estamos em uma fase de busca de segurança para a maioria da população. Mas, não podemos ser pessimistas, achar que estamos entrando em uma bolha de crédito e consumo. Todos falam dos financiamentos imobiliários, que no Brasil representam 2% do PIB, nos Estados Unidos é mais de 100%. Gente, o Brasil está bombando, e precisamos, neste cenário que é muito bom, buscar qualificar mão de obra, que já começa a ficar escassa em muitos setores", alerta Leusin.
O Economia & Negócios teve o patrocínio da Justen&Heberle Assessoria Empresarial e foi coordenado pelo vice-presidente de Desenvolvimento Regional da ACI, Júlio Cézar Camerini.
De Zotti - Assessoria de Imprensa
Em 6/10/2010