Campo Bom/RS - A Unidade Campo Bom da Associação Comercial, Industrial e de Serviços promoveu nesta quinta-feira (06) o “Prato Principal”, reunião-almoço que teve como convidado o assessor Econômico da Federasul, Sérgio Leusin Júnior. O palestrante, graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Maria, abordou o tema “Cenário Econômico para 2008”, avaliando algumas perspectivas em nível nacional.
Leusin fez um resgate histórico da economia brasileira até a conjuntura atual, analisando os aspectos condicionantes para o pequeno crescimento observado no país, nos quais considerou a carga tributária, dívida pública e taxas de juros, como os fatores responsáveis por este baixo desempenho. Segundo ele, se não houver uma recessão na economia americana, o Brasil deverá crescer entre 4% e 4,5% nos próximos anos. "O Real vai se manter estável em relação ao dólar, com tendência de gradual desvalorização, e a inflação permanecerá sob controle também em 2008", enfatizou.
Entre os dados apresentados, destacam-se o fato do Brasil possuir a mais elevada taxa de juros nominal entre as maiores economias do mundo e dos principais países emergentes, de 11,25% ao ano. Outro fator preponderante é a taxa de juros real (a taxa nominal descontada a inflação acumulada nos últimos 12 meses) ser a segunda maior do mundo, sendo que os demais países emergentes da América Latina apresentam taxas reais de juros inferiores a 5%: no México 3,07%; no Chile 2,13%; na Argentina 0,64%. Na China a taxa é negativa: 1,21%.
No aspecto relativo ao fato da carga tributária ser um dos grandes vilões do baixo desempenho econômico do País, Leusin destacou que o Brasil tinha uma carga tributária, em 2004, equivalente a 36,8% do PIB (em 2005, elevou-se para 37,37%), sendo superior a vários países desenvolvidos, como o Reino Unido e a Alemanha. "Historicamente o crescimento da carga tributária no Brasil foi o maior entre os países examinados, sendo que a participação dos impostos no PIB quase duplicou entre 1985 e 2004", observou.
O panorama desenhado pelo assessor econômico da Federasul para o próximo ano é de manutenção da atual política econômica por parte do Governo, não sendo realizadas as reformas estruturais necessárias e também não havendo o controle dos gastos públicos. "Com isso, a inflação deverá ser mantida sob controle, com um crescimento de baixo a moderado, e consequentemente, oscilando conforme o crescimento econômico internacional".
O vice-presidente da Unidade ACI de Campo Bom, empresário César Ramos, anunciou para o mês de janeiro, no evento “Trocando Idéias”, o debate sobre as linhas de crédito da Caixa Econômica Federal.
De Zotti - Assessoria de Imprensa
Em 07/12/2007