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Jorge Faccioni desmistifica médias de números apresentados do setor calçadista
Vice de Negócios Internacionais da ACI comparou crise calçadista da década de 90 à atual
Novo Hamburgo/RS - Em resposta ao tema "Calçados: Nossa vocação continua?", o
palestrante do Prato Principal, Jorge Faccioni, vice-presidente de Negócios
Internacionais da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo,
Campo Bom e Estância Velha, afirma categoricamente: "Sim, a vocação continua, o que
não podemos perder é a indignação". No evento ocorrido na última quinta-feira
(28/06), no Salão de Convenções da entidade, ele fez um desmembramento dos números
do setor, depois de realizar uma longa pesquisa, mostrando que não se pode ver a
área calçadista pela média de números que geralmente são publicados pelos meios de
comunicação, mas que deve ser observada uma série de critérios. "É preciso fazer uma
desmistificação destes números, pois geralmente ouvimos falar das médias, e o setor
não pode ser visto pela média", argumentou.
Faccioni sustentou que as pessoas estão confusas com o que vem acontecendo na cadeia
coureiro-calçadista, porque estão vendo o desemprego e ao mesmo tempo recebendo
informações de que o setor cresce. "Os jornais apresentaram um dado de que as
exportações cresceram 10% em abril". Com recortes de manchetes, ele explicou que o
valor do preço médio do calçado subiu muito, mas a mão-de-obra despencou, o que
significa redução de empregos. Da mesma maneira, o número de pares exportados também
caiu.
Traçando um paralelo com a crise que vem ocorrendo no setor gaúcho de 2003 até
agora, em comparação com a crise da década de 90, que foi de 1993 a 1999, ele
observa que na década de 90 o crescimento do preço médio do par de sapatos, em
dólares, foi de 12% em todo o período de crise. Na década atual, o aumento do preço
foi de 56%, em apenas três anos. Na primeira etapa, a média de aumento de valor era
de 2,2% ao ano, enquanto na atual, a média é de 18,8% de aumento anual. Também na
primeira crise, a queda de produção foi de 37% ao longo dos anos (passando de 162,6
milhões de pares para 130 milhões de pares), enquanto nos últimos três anos a queda
já atingiu os 30% (de 116,8 milhões de pares caiu para 81,8 milhões de pares).
Nas exportações o volume do calçado gaúcho também caiu muito: foram subtraídos 21
milhões de pares em 2005, 17 milhões de pares em 2006 e 55 milhões de pares a menos
este ano.
EMPREGOS - Em relação à produção, Faccioni enfatiza que ela está diretamente
relacionada ao número de empregos. Ele lembra que a mão-de-obra já caiu 30%, o que
representa uma produção 42% menor, passando de 15,7 milhões de pares para 9,1
milhões de pares. Calculando com base que cada milhão de pares exportados ao ano
representam 1,2 mil empregos diretos, a situação é preocupante. "O Rio Grande do Sul
apresenta as maiores perdas, em função de ser o maior produtor do Brasil e de ter
uso elevado de mão-de-obra", sustentou.
"O empresário está fazendo tudo o que pode, e vai continuar fazendo, mas a maior
solução é a união, que dá a liga para alavancar o setor", enfatizou Faccioni. Ele
observou que o Rio Grande do Sul é o estado mais prejudicado, mas que outros estados
também vêm numa trajetória de perdas no setor, inclusive os da região Nordeste.
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De Zotti - Assessoria de Imprensa
Em 28/06/2007
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