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Comércio Exterior


Delfim descarta possibilidade de crise cambial no País

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou que não acredita que o Brasil vai passar por uma crise cambial. "Houve um movimento recente relativo à valorização internacional do dólar. O BC fez certo em prover liquidez ao mercado", comentou, depois de participar do 8º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas. "Câmbio flutuante é assim: num primeiro momento varia, mas depois se ajusta", destacou.

Para Delfim Netto, contudo, o "câmbio é um problema sério" que somente será resolvido quando a taxa de juro real interna for igual à registrada pela maioria dos países. O ex-ministro afirmou que o governo tem agido de forma correta ao ter reduzido a Selic, pois o Banco Central percebeu que a crise internacional tem efeitos muito sérios sobre o nível de atividade mundial, com impactos deflacionários. "Tombini está muito mais afinado com a realidade monetária do mundo do que todos os analistas financeiros", comentou, referindo-se ao presidente do BC, Alexandre Tombini.

Delfim Netto ironizou analistas que reclamavam da flutuação do câmbio quando a cotação estava em R$ 1,52, mas quando a taxa bateu em R$ 1,95, como ocorreu na semana passada, passaram a clamar pela intervenção "rápida" do BC. O ex-ministro não é favorável à apreciação excessiva do real ante o dólar, mas defende a ação do BC para que o mercado funcione sem fortes oscilações. "A volatilidade vai permanecer por um bom tempo", destacou, ao se referir que a crise dos EUA não vai acabar antes das eleições presidenciais de 2012 e na Europa os problemas também são muito graves.

Delfim Neto afirmou que a taxação de operações cambiais no mercado futuro é um instrumento importante para garantir segurança. Segundo ele, não foi essa medida que provou a desvalorização do real nos últimos dias. A real causa, disse, foi a valorização generalizada do dólar frente às outras moedas, devido às incertezas do cenário externo.

"O governo adquiriu um instrumento, vai conservá-lo e usá-lo quando necessário", disse, em referência à taxação das operações no mercado futuro. "É um novo instrumento que tem implicações importantes para o prover segurança para os mercados", completou o economista e ex-ministro.

Fonte: Jornal do Comércio



     

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