Nos EUA, Fed vê crescimento mas mostra preocupação com crise
Em comunicado, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), disse que a economia americana continuou a crescer apesar do período de turbulência, mas reconheceu pela primeira vez uma preocupação com os efeitos da crise sobre a atividade econômica global. O banco manteve ainda as taxas de juros e as políticas de trocas de títulos do Tesouro de curto prazo pelos de longo prazo.
"Os dados percebidos pelo Federal Reserve desde novembro sugerem que a economia mantém uma expansão moderada, apesar da aparente desaceleração do crescimento mundial", avaliaram os integrantes do BC americano.
Sem novidades, a última reunião prevista para este ano do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), que dirige a política monetária do EUA, indicou a manutenção das taxas de juros em 0,25%.
De acordo com o Fed, embora os indicadores mostrem uma melhora em geral nas condições do mercado de trabalho, a taxa de desemprego se mantém elevada.
EXPECTATIVAS - O banco central americano frustrou pelo menos duas expectativas do mercado financeiro.
Havia uma parcela minoritária dos especialistas que apostava numa sinalização mais forte do "Fed" em relação à trajetória dos juros, provavelmente suspendendo o compromisso de manter essas taxas em níveis tão baixos até 2013. O Fed manteve os termos utilizados no comunicado anterior.
Havia uma corrente mais expressiva dos profissionais de mercado que esperava "dicas" do Fed em relação a um possível terceiro estágio do QE (o programa para injeção de recursos na economia, via bancos), mas outra vez, a autoridade monetária se "calou" em relação ao assunto.
NOVEMBRO - Na reunião anterior do órgão, em novembro, o presidente do Fed, Ben Bernanke, reduziu as perspectivas de crescimento dos EUA para os próximos dois anos, ao avaliar que a economia do país deve se expandir num ritmo "frustrantemente baixo".
Na época a avaliação quanto à taxa de desemprego, que se mantém em 9,1% há mais de dois anos, as perspectivas do Fed também não são positivas. O índice deve se manter no mesmo patamar até o fim de 2011 e não ultrapassará os 8,5% no próximo ano.
Em junho, o BC americano estimou que a taxa de desemprego poderia chegar a 7,8% ainda em 2011.
"OPERAÇÃO TWIST" - Ainda no dia 21 de setembro, o Fed anunciou que comprará US$ 400 bilhões em títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA ao mesmo tempo em que venderá títulos de curto prazo, também do Tesouro, no mesmo valor de US$ 400 bilhões, uma medida conhecida como "operação twist", ou seja, a troca de tipo de títulos na carteira de investimento.
Numa tentativa de impactar o cenário econômico dos EUA com o objetivo de acelerar a recuperação, a operação anunciada pelo Fed para reorganizar sua carteira de US$ 2,87 trilhões deve reduzir a taxa de juros de longo prazo, e por consequência, reduzir também as taxas das hipotecas e linhas de crédito para os consumidores e empresas.
O objetivo do programa é dar às empresas e aos consumidores um incentivo para obter mais empréstimos e acelerar o consumo.
Fonte: Folha.com
Em 13/12/2011